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18/12/2009 - 14h23

Livre para se reeleger, Chávez vê oposição e problemas crescerem em 2009

Esther Borrell.

Caracas, 18 dez (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, conseguiu em 2009 sinal verde para tentar outro mandato à frente do Governo, embora a oposição tenha ganhado força e o líder enfrente problemas econômicos e diplomáticos, sobretudo com a Colômbia.

Há mais de uma década no poder, Chávez alcançou nas urnas a chance de ser candidato à Presidência em 2012. O líder venezuelano obteve o "sim" da maioria dos eleitores convocados a votar no referendo de 15 de fevereiro.

Dos venezuelanos que foram às urnas, mais de 54% aprovaram a emenda à Carta que eliminou o impedimento constitucional à reeleição. A vitória saiu um ano após a fracassada primeira consulta sobre o tema e entre críticas da oposição, que acusa Chávez de querer se perpetuar no poder.

Ao promulgar o texto, o presidente prometeu mais eficácia no Governo - que chama de "revolucionário" - e disse que ficará no poder, "pelo menos", até 2019.

Em fevereiro, Chávez, eleito pela primeira vez em dezembro de 1998, ratificado em 2000 durante a legitimação dos poderes dentro da nova Constituição Bolivariana, e reeleito em dezembro de 2006, afirmou que com a vitória "começou um novo ciclo da revolução".

E ainda assegurou que nessa nova etapa seria preciso resolver "problemas pendentes", como a falta de habitação e segurança. Segundo pesquisas, essas duas questões são as maiores preocupações na Venezuela, onde há 14 mil mortes violentas ao ano.

Os índices de violência não recuam e se somaram ao balanço negativo do Governo sobre problemas econômicos e outras deficiências, como a carência no abastecimento de energia e água.

A crise global, apesar de não ter atingido de forma direta a Venezuela por seu isolamento dos mercados internacionais, foi sentida no setor petroleiro. A queda no preço do barril afetou gravemente a receita do país, o quinto maior exportador mundial da commodity.

Analistas e economistas alertam sobre a falta de liquidez do Governo, que em um primeiro momento rejeitou tais argumentos, mas mais tarde reconheceu o efeito negativo da desvalorização do petróleo, principal razão para a queda do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país, que está à beira da recessão.

Em dezembro, a patronal venezuelana calculou que a queda do PIB chegará a 2,7% e que a desenfreada inflação acumulará 32,1% ao fechar o ano, sem previsão de melhoras para 2010.

Segundo o Governo, a "desaceleração" da economia no fechamento de 2009 poderia chegar a 2,22%, e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ficará em 26% - no ano passado foi de 30,9%.

As más notícias econômicas coincidiram com uma redução da popularidade de Chávez que, no entanto, ainda ronda 50%. As mesmas pesquisas apontam também a consolidação da oposição ao Governo, não necessariamente ligada a algum partido da direita.

Ganhou força na Venezuela a presença dos chamados "nem-nem", eleitores que não apoiam ou deixaram de apoiar Chávez, mas que também não se inclinam pelos líderes da oposição.

No campo da política externa, a Venezuela voltou a entrar em crise com a Colômbia, desta vez por conta do acordo entre Bogotá e Washington para o uso de sete bases militares colombianas pelo Exército americano.

O novo capítulo na turbulenta relação entre os dois países, que estão periodicamente sem embaixadores, serve, para muitos analistas, aos respectivos líderes para ofuscar os problemas internos que cada um enfrenta.

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