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12/01/2010 - 14h44

Atentado mata especialista nuclear no Irã, em meio a grave crise política

Javier Martín.

Teerã, 12 jan (EFE).- O terrorismo voltou a atingir hoje o Irã, sete meses depois de o país ter entrado na pior crise política e social desde 1979, ano da vitória da Revolução Islâmica.

Uma bomba colocada em uma motocicleta de pequena cilindrada e aparentemente acionada por controle remoto matou Massoud Ali Mohammadi, professor de Física Atômica da Universidade de Teerã e renomado especialista nuclear.

Segundo o relato oficial, a bomba explodiu quando o cientista saía de casa, em um bairro do norte da capital, e se preparava para entrar em seu veículo para ir ao trabalho.

Mohammadi era um pesquisador renomado, "comprometido" com o regime, como se apressou em ressaltar o procurador-geral de Teerã, Abbas Jaafari Dowlatabadi.

A televisão estatal explicou que a vítima foi um dos primeiros iranianos especialistas em matéria nuclear e deu a entender que tinha vínculos com os voluntários islâmicos Basij.

"Seu corpo foi levado ao escritório do legista. Foi aberta uma investigação para encontrar os culpados e conhecer os motivos", disse Dowlatabadi.

Poucas horas depois, o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, acusou os Estados Unidos e Israel, de estarem envolvidos em uma ação "contrária às normas internacionais".

É "um ato desumano cometido por agentes sionistas ou mercenários americanos", disse Mehmanparast, segundo um boletim da televisão estatal iraniana.

Segundo o boletim da televisão estatal, Massoud Mohammadi era um professor da Revolução, que morreu como mártir em um atentado cometido por elementos antirrevolucionários e agentes da opressão mundial, termo que, no Irã, costuma fazer referências aos EUA e Israel.

A rede oficial em árabe "Alalam" - citando fontes "bem informadas", mas não identificadas - sugeriu que o ataque poderia ser obra do movimento de oposição no exílio Mujahedin-e Khalq, que o regime iraniano considera terrorista.

O atentado do hoje é o primeiro destas características registrado em Teerã desde que, em 13 de junho, começou a crise que divide o país, e aponta a que poderia abrir um novo capítulo nas disputas.

Os protestos surgidos após a polêmica reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, que a oposição considera "fraudulenta", não pararam desde então, apesar da detenção de centenas de opositores, jornalistas e estudantes universitários.

A situação se agravou em 27 de dezembro, dia da Ashura, 27 de dezembro, dia sagrado da Ashura, quando os protestos voltaram a cair na violência, com a morte de pelo menos oito pessoas, segundo números oficiais.

Como aconteceu em junho, Teerã acusou então o Ocidente, e em particular a Washington e Londres, de instigar os distúrbios para forçar a queda do regime iraniano.

Além disso, apontou diretamente o Mujahedin-e Khalq, afirmando ter detido cinco membros desse grupo nos distúrbios, que serão julgados em breve.

Nos últimos dias, a imprensa local e estrangeira tinha sugerido uma aparente aproximação entre os opositores reformistas e grupos conservadores moderados, que estariam se afastando da ala mais radical.

Nesta linha, o ex-presidente reformista Mohamad Khatami denunciou "o radicalismo" dos dois lados, enquanto alguns conservadores, como o ex-candidato presidencial Mohsen Rezaei, sugeriram que a oposição fosse ouvida.

Analistas e especialistas na área preveem, no entanto, que o suposto envolvimento do Mujahedin-e Khalq no atentado poderia fortalecer a opinião dos que pedem ações mais graves contra os grupos de protesto.

Além desse complexo quebra-cabeça interno, está a disputa que o Irã mantém com a comunidade internacional por causa das suspeitas sobre seu programa nuclear, energia na qual Mohammadi era considerado especialista.

Países como Estados Unidos, Israel, França, Alemanha e Reino Unido acusam o regime iraniano de esconder, sob seu esforço atômico civil, um projeto clandestino cujo objetivo seria adquirir um arsenal nuclear, o que o Irã nega.

O conflito se agravou no final do ano passado, depois que o Irã rejeitou uma proposta dos EUA, França e Rússia para enviar urânio iraniano enriquecido a 3,5% ao exterior e recuperá-lo depois, enriquecido a 20%, nas condições necessárias para manter operacional um reator nuclear civil em Teerã.

O Irã advertiu que conseguirá o combustível "por seus próprios meios", enquanto a Casa Branca ameaçou adotar novas sanções.

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