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16/01/2010 - 14h28

Milhares estão acampados nas ruas de Porto Príncipe, diz Cruz Vermelha

Genebra, 16 jan (EFE).- Dezenas de milhares de pessoas desabrigadas pelo terremoto de terça-feira no Haiti vivem agora nas ruas e em acampamentos improvisados que cobrem quase cada centímetro dos espaços públicos abertos em Porto Príncipe, segundo membros do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) presentes na cidade.

Simon Schorno, porta-voz do CICV, visitou diversas regiões da cidade na sexta-feira e declarou hoje que "o caos é total".

"Há destruição em todos os bairros. As pessoas andam de um lado para o outro, buscando comida, ajuda. Muitos usam máscaras para se proteger do mau cheiro dos corpos em decomposição, não há tendas para se abrigar, não há lugares para cozinhar, nem banheiros", conta o porta-voz.

Schorno descreveu, no entanto, cenas de grande solidariedade entre moradores e desconhecidos, que dividem o pouco que têm e se organizam da melhor maneira possível.

Falta pessoal nos centros médicos da capital, que estão saturados e não podem atender ao alto número de pacientes, enquanto aguardam a chegada de uma carga de 40 toneladas de artigos médicos do CICV no domingo.

O CICV calcula que quase 50 mil pessoas estão instaladas na praça Champ de Mars.

No total, há cerca de 40 pontos na cidade nos quais a população está acampada.

Enquanto isso, muita gente sai em ônibus lotados que vão para o interior do Haiti, tentando chegar a lugares onde têm familiares.

Em uma clínica visitada pelo CICV no bairro de Cité Militaire, apenas Melissa, uma enfermeira de 51 anos, faz o atendimento médico.

O edifício está vazio, enquanto os pacientes estão no pátio com seus familiares.

Melissa disse ao CICV que os médicos do hospital não retornaram depois do terremoto e que provavelmente estão com suas famílias. Essa situação se repete em outros centros médicos.

A enfermeira afirma que precisa de antibióticos, gaze e um kit de primeiros socorros, mas "não tenho nada e meus pacientes precisam ser operados".

Há dois cadáveres no pátio da clínica. Uma idosa com um braço amputado também espera atendimento, e apresenta um buraco na parte alta de sua cabeça.

"Não puderam lhe dar calmantes, está delirando. Seus ferimentos cheiram mal e seus familiares parecem alucinados", relata Schorno.

Diante da gravidade da situação, que a ONU chamou de "catástrofe histórica", a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) revisou o pedido de fundos para o Haiti até 105,7 milhões de francos suíços (US$ 103 milhões), com o objetivo de atender 300 mil pessoas durante três anos.

O pedido é dez vezes maior do que o feito inicialmente em 13 de janeiro, e reflete a necessidade de ajuda no longo prazo para o Haiti.

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