UOL Notícias Notícias
 

25/01/2010 - 22h16

Conferência de Montreal delineia construção do novo Haiti

Céline Aemisegger.

Montreal (Canadá), 25 jan (EFE).- Conscientes de que situação no já castigado pela pobreza Haiti é totalmente diferente após o terremoto, representantes das principais nações e organizações do mundo estabeleceram hoje em Montreal (Canadá) as linhas gerais para a reconstrução do país, num processo que estimaram em dez anos.

O primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, foi o primeiro a reconhecer que o país nunca mais voltará a ser o mesmo após o terremoto. Porém, mostrou otimismo, e disse que "será melhor" após a reconstrução.

"Todo o país mudou. É preciso fazer uma avaliação de tudo", apontou o premiê, para quem também existem "enormes oportunidades" para criar um futuro melhor para o Haiti.

No último dia 12, o Haiti foi abalado por um terremoto de 7 graus de intensidade na escala Richter, com epicentro a apenas 15 quilômetros da capital. O embaixador haitiano na França, Gaspard Feitzner, cifrou hoje em 150 mil o número de mortos na tragédia.

Na conferência, o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, preferiu dar ao sonho do Haiti um número e, com isso, expôs uma dura realidade: a reconstrução da nação mais pobre das Américas demandará aos menos uma década.

Bellerive preferiu falar de cinco anos, mas os ministros de Assuntos Exteriores reunidos em Montreal estão cientes de que isso não será suficiente. "Um compromisso inicial de dez anos é essencial", diz a declaração final da conferência.

Apesar do lema de "a união faz a força", a conferência terminou sem um novo compromisso financeiro com o Haiti.

A primeira parte da conferência pareceu um pouco esvaziada e a chefe da diplomacia americana, Hillary Clinton, decidiu participar apenas na parte tarde, embora estivesse representada o tempo todo pelo secretário de Estado adjunto para a América Latina, Arturo Valenzuela.

Mesmo sem compromissos financeiros, a reunião abriu uma janela para a arrecadação de fundos em março, quando acontecerá em Nova York uma conferência internacional de doadores.

A conferência de Montreal conseguiu um claro compromisso político por parte de representantes e ministros do Haiti e dos países do Grupo de Amigos do Haiti (Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Costa Rica, França, México, Peru, EUA e Uruguai).

Da mesma forma foi conseguido o apoio dos enviados de República Dominicana, Espanha, União Europeia (UE) e Japão, e dos representantes de organismos como a Organização dos Estados Americanos (OEA), do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da ONU.

O compromisso é de buscar três objetivos a longo prazo para a reconstrução do Haiti: fortalecer as instituições democráticas, fomentar o desenvolvimento econômico e social sustentável e promover a estabilidade e o respeito ao Estado de direito.

Tudo isso, como sublinharam, em respeito à liderança e à soberania do Haiti.

Na entrevista coletiva final, tanto o ministro de Assuntos Exteriores do Canadá, Lawrence Cannon, como Hillary insistiram que as autoridades haitianas serão responsáveis por decidir o futuro do país.

"É o Haiti que está no comando", disse Hillary, enquanto o chanceler canadense, na mesma linha, afirmou que "o Governo haitiano é quem decidirá".

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, recomendou a todos os presentes à conferência que visitem o Haiti e reforçou o apoio do Brasil ao país caribenho.

Pelo menos 21 brasileiros morreram no terremoto, 18 militares e três civis, entre eles a médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti.

Já o chanceler francês, Bernard Kouchner, pediu à comunidade internacional "paciência".

"Os haitianos têm seu futuro em suas mãos, trabalharemos juntos, estaremos com o Haiti a longo prazo, proporcionaremos resultados e prestaremos contas", apontam uma das linhas que prometem guiar a reconstrução do país caribenho.

As palavras têm peso, mas tem que ser postas em prática, pois, como disse Bellerive, desta vez a reconstrução tem que acontecer de forma "diferente".

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,31
    3,266
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,60
    62.662,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host