UOL Notícias Notícias
 

30/01/2010 - 14h25

FMI alerta para crescimento econômico rápido e frágil

Davos (Suíça) 30 jan (EFE).- O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), o francês Dominique Strauss-Kahn, disse hoje, em Davos, que a economia mundial voltou a crescer mais rápido do que o previsto, mas que esta expansão ainda é bem frágil.

Em um debate sobre as perspectivas econômicas globais para 2010, Strauss-Kahn destacou que a suspensão tardia das medidas de estímulo fiscal e monetário poderá aumentar o déficit dos países. Por outro lado, a revogação delas cedo demais pode ser bem mais prejudicial.

Segundo o francês, a recuperação da economia vai ser "desequilibrada", por isso recomendou que a reforma financeira aconteça de forma coordenada e numa velocidade maior.

Em outro fórum de discussão sobre a regulação do sistema financeiro, do qual curiosamente os Estados Unidos não participaram, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, destacou que as reformas no sistema são necessárias para evitar uma crise como a que vivemos atualmente.

Trichet disse que os agentes do setor "estão obrigados a melhorar notavelmente a regulação" do sistema financeiro e torná-lo "mais resistente que antes", com normas globais.

O presidente do BCE acrescentou que uma série de reformas está em andamento na Europa para melhorar a coordenação entre os órgãos reguladores.

"Não podemos nos permitir enfrentar duas vezes uma crise financeira como a que tivemos", disse Trichet, que destacou os progressos feitos pelo G20, o Conselho de Estabilidade Financeira e o Comitê da Basiléia na gestação da nova regulação para reformar o sistema financeiro.

Pela manhã, banqueiros, reguladores financeiros e líderes políticos mantiveram uma reunião a portas fechadas. Em pauta, esteve a crise financeira e a reforma no sistema bancário que alguns Governos querem promover para evitar futuros riscos.

Entre os presentes, estavam Trichet, a ministra francesa de Economia, Christine Lagarde; o presidente do banco HSBC, Stephen Green, e vários ministros de Finanças.

No entanto, alguns especialistas disseram em Davos que uma reforma no sistema estaria condicionada aos interesses dos EUA, já que as mudanças desejadas prejudicariam um dos pilares econômicos do país, que é quem mais terá voz na hora de propor as alterações.

Por sua vez, o diretor do Conselho Econômico dos EUA, Lawrence Summers, classificou como "gratificante" ocrescimento de 5,7% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) americano no quarto trimestre de 2009.

Porém, Summers disse que "o que se vê nos EUA, e talvez em outros países, é uma recuperação econômica estatística e uma recessão humana".

Neste sentido, o assessor econômico do presidente Barack Obama previu números de crescimento "no mínimo moderados nos próximos trimestres".

"O que é alarmante é o nível do desemprego", já que um em cada cinco homens de 25 a 54 anos não trabalha neste momento, o que contrasta com a taxa de emprego de 95% que era registrada nos anos 1960.

O funcionário lembrou que, há poucos dias, Obama destacou que sua política também prioriza a criação de empregos.

Ainda a esse respeito, Summers afirmou que é importante orientar as políticas para o crescimento, "porque ninguém vai ter uma situação fiscal saudável em uma economia global que não cresce a uma taxa razoável".

Por sua vez, o executivo-chefe do banco alemão Deutsche Bank, Josef Ackermann, advertiu que os mercados estão voltando a dar mostras de nervosismo e que a ameaça inclui os preços dos ativos e os "carry trades" (tomada de empréstimos na divisa de uma zona econômica com baixas taxas de juros e o investimento do dinheiro em uma área com taxas de retorno mais elevadas).

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,48
    3,144
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,53
    75.604,34
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host