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04/02/2010 - 07h47

Advogado chinês indicado ao Nobel completa 1 ano desaparecido

Pequim, 4 fev (EFE).- A família do advogado chinês Gao Zhisheng, indicado ao prêmio Nobel da Paz e que hoje completa um ano desaparecido, manifestou sua angústia pelo silêncio que Pequim mantém a respeito do paradeiro dele.

"Até os parentes de um condenado à morte têm o direito de saber onde ele está", disse à Agência Efe Gao Zhiyi, irmão mais velho de Zhisheng.

Por telefone, direto da província de Shaanxi, no centro da China, Zhiyi disse que a última vez em que falou com o irmão foi em meados do ano passado. Na ocasião, Zhisheng avisou que, apesar de detido, estava bem. Porém, não teve tempo de dizer onde se encontrava.

Agora, os familiares do chinês desaparecido temem que ele tenha sido torturado ou até executado.

O advogado, que em 2001 foi considerado pelo Governo chinês um dos dez melhores do país por denunciar esquemas de corrupção, caiu em desgraça 2004. Nesse ano, ele começou a defender católicos clandestinos supostamente torturados e membros do grupo budista Falun Gong, declarado ilegal por Pequim em 1999.

Detido várias vezes, Gao descreveu publicamente, com riqueza de detalhes, as surras, choques e outros abusos a que foi submetido quando, em 2007, permaneceu 54 dias sob a custódia da Polícia.

Depois que a mulher e os dois filhos conseguissem fugir para os EUA em janeiro de 2009, Gao foi detido por cerca de dez policiais. A última vez que foi visto foi em 4 de fevereiro do ano passado.

Zhiyi, que depois da morte da mãe teve que cuidar dos três irmãos menores, inclusive de Zhisheng, o caçula, telefonou para um dos policiais que detiveram o advogado em dezembro último.

Perguntado sobre o paradeiro do ativista, o agente afirmou que ele "desapareceu em setembro, durante um passeio".

"Como foi possível ele desaparecer se o acompanhavam até no banheiro?", questiona o irmão mais velho, que continua sem respostas após duas visitas a Pequim e inúmeras ligações telefônicas.

Nas duas últimas semanas, o porta-voz da Chancelaria chinesa, Ma Zhaoxu, afirmou que Zhisheng "está onde deve estar", que não tem como "saber onde anda cada um dos 1,3 bilhões de chineses" e que perguntas sobre o paradeiro do advogado eram "absurdas".

"Eu não julgo se o que meu irmão fez é correto ou não. Mas, seja o que for, tem que ser punido conforme à lei. O Governo deve dar uma explicação. Tudo isto parece um equívoco. Não tenho instrução, mas acho que é injusto", destacou Zhiyi.

A mulher de Zhisheng, Geng Eis, exilada em Nova York, concorda com o cunhado. "O Governo diz que a China é um Estado de direito, mas neste caso não está mostrando isso", declarou à Efe, por telefone.

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