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04/02/2010 - 10h17

Jacarta construirá "manifestódromo" para atenuar congestionamentos

Juan Palop.

Jacarta, 4 fev (EFE).- A incômoda combinação de protestos diários e engarrafamentos crônicos levou a Prefeitura de Jacarta a planejar a construção de um "manifestódromo" com capacidade para 10 mil pessoas para este ano.

Esse projeto inovador quer pôr fim ao caos que atolou nos últimos meses o fluxo circulatório da cidade, de 14 milhões de habitantes. Se não bastassem os frequentes problemas de trânsito, uma espiral de manifestações agravou a situação, fruto da instabilidade política no país.

"O parque para as manifestações estará pronto neste mesmo ano, mas ainda não sabemos em que mês. Terá cercas, fontes e estátuas", assegurou Muhayat, secretário do escritório do prefeito de Jacarta.

O espaço contará também com um palco lateral, onde os cidadãos poderão subir para "proclamar seus protestos" livremente, mas "sem perturbar a ordem pública" e o já problemático trânsito da cidade, acrescentou Muhayat.

A decisão de construir o local chega após quatro meses de disputas partidárias, ânimos acirrados e de vários escândalos de corrupção, que elevaram a temperatura do debate político nacional.

Nesse contexto, milhares de indonésios saíram às ruas para protestar, seja por convicção pessoal ou pelos discretos incentivos econômicos que distribuem alguns grupos de pressão entre os cidadãos mais humildes para manifestar suas ideias nas ruas.

Na quarta-feira passada e coincidindo com os 100 dias do segundo mandato do presidente do país, Susilo Bambang Yudhoyono, 62 organizações civis convocaram manifestações independentes que levaram Jacarta à beira do colapso.

Nas últimas semanas, virou hábito a Polícia metropolitana anunciar diariamente a convocação de quatro a oito manifestações pelas principais avenidas da cidade e frente a edifícios públicos.

Os recorrentes protestos são a gota d'água graças à absoluta indiferença dos indonésios, em geral, pelo código circulatório, o exponencial uso de veículos - já acima dos 9 milhões - e as deficiências da rede viária e do transporte público.

Os engarrafamentos se transformaram em uma das maiores dores de cabeça em Jacarta que, segundo um estudo da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA), poderia chegar ao "colapso total" em 2014 caso o Governo não tome medidas "efetivas e radicais".

A Prefeitura da capital, por sua vez, tentou resolver esse problema com diversos planos, mas sempre sem conseguir o resultado prometido.

A Administração chegou a antecipar em 30 minutos a entrada às escolas e a proibir que os carros circulassem com menos de três ocupantes pelas ruas principais nos horários de pico, mas nenhuma dessas medidas teve muito êxito.

Além disso, a Prefeitura fez enorme propaganda de vários projetos de infraestruturas, como a construção de 70 quilômetros de viadutos, um trem "aéreo" e um metrô, mas nunca os tirou do papel por problemas técnicos e financeiros.

Uma das propostas mais cômicas para as pessoas, junto à do "manifestódromo", foi a de criar um grupo de 20 agentes de trânsito com patins para que pudessem chegar ao coração do engarrafamento mais rapidamente, pois até as motos ficavam estagnadas no tráfego.

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