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04/02/2010 - 16h01

Zapatero ratifica compromisso com imigrantes e desempregados em ato nos EUA

Washington, 4 fev (EFE).- O chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, reiterou hoje seu compromisso com os desempregados e a integração dos imigrantes em um ato político-religioso assistido pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

No café da manhã Nacional de Oração, realizado em Washington, Zapatero falou em espanhol, "na língua em que pela primeira vez se rezou ao Deus do Evangelho nesta terra", disse.

O governante espanhol discursou diante de um auditório com mais de 3 mil pessoas, entre estas Obama, sua esposa, Michelle, o vice-presidente, Joe Biden, e a secretária de Estado, Hillary Clinton.

Apesar de ter chegado cedo ao hotel para conversar com os convidados, não conseguiu dialogar com Obama, que entrou no salão após o início do ato.

O presidente americano deu um caloroso abraço antes de sentar-se e, ao tomar a palavra, disse estar "feliz" por ver seu "querido amigo" Zapatero e enviou "saudações" à Espanha.

Por sua vez, o líder espanhol fez um discurso em favor da liberdade, da tolerância e da aliança de civilizações, e condenou a "utilização adulterada da fé religiosa para justificar a violência".

Além disso, honrou a memória das vítimas do terrorismo na Espanha e nos Estados Unidos, porque "juntos defendemos a liberdade onde a mesma está ameaçada".

Zapatero dedicou sua "prece" a reivindicar "o direito de cada pessoa em qualquer lugar do mundo a ter sua autonomia moral", assim como "a liberdade de todos para viver sua própria vida, para viver com a pessoa amada e para criar e cuidar de sua família, merecendo respeito por isso".

E, como pedia este ato, leu uma passagem da Bíblia, o capítulo 24 do Deuteronômio.

"Não oprimirás o jornaleiro pobre e necessitado, seja teu compatriota, ou um estrangeiro que vive em alguma das cidades de teu país. Pague seu jornal nesse mesmo dia, antes que o sol se por, porque está necessitado, e sua vida depende de seu jornal", recitou.

Insistiu a todos os presentes a velar pela integração dos imigrantes que chegam para trabalhar e por aqueles que não podem ser amparados e passam "fome e miséria", como os habitantes do Haiti.

Zapatero aproveitou o momento para proclamar seu "mais sincero compromisso" com os homens e mulheres que sofrem "nestes tempos difíceis" pela falta de trabalho.

"Não há tarefa da qual, como governantes, nos sintamos mais responsáveis, que a de agilizar a criação do emprego", assegurou Zapatero.

Obama fez em seu discurso um chamado a encontrar um "terreno comum" no debate político, e ressaltou que encontrou apoio na Espanha quando prestou homenagem à ajuda enviada ao Haiti pelos Estados Unidos e aos "esforços similares" da Espanha e outros países, após o terremoto que assolou esse país em 12 de janeiro.

Zapatero fez um paralelismo entre seu país e os Estados Unidos, duas nações que "devem muito aos que vieram de fora" e que "não seriam ninguém sem isso".

Após elogiar a tradição da liberdade nos Estados Unidos, apresentou a Espanha como "uma das nações mais antigas da terra" forjada na diversidade celta, ibera, fenícia, grega, romana, judia, árabe e cristã, assinalou.

Depois de lembrar o passado de convivência do judaísmo, o cristianismo e o islamismo, elogiou a defesa que fez a Espanha da tolerância religiosa, o respeito à diferença, o diálogo, a convivência entre culturas e a aliança das civilizações.

Uma defesa que realiza com tanta convicção como rejeita "as afirmações excludentes, a superioridade moral, o absolutismo e o fundamentalismo intransigente".

A tolerância é melhor que a aceitação do outro, é descobrir e conhecer o outro, revelou Zapatero, convencido que no desconhecimento está a raiz de muitos conflitos que ameaçam o mundo.

"O ódio nasce da ignorância e a harmonia se constrói a partir do conhecimento, também a paz", ressaltou.

Além da Bíblia, Zapatero citou "Dom Quixote", escrito por Miguel de Cervantes, em 1605, para lembrar que "pela liberdade, assim como pela honra, se pode e deve aventurar a vida, e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode abater os homens.

"Que esse dom siga iluminando América e todos os povos da terra", concluiu Zapatero, quem completará seu dia em Washington com um almoço na Câmara de Comércio e com uma conferência no Atlantic Council, centro de análise especializado em Defesa e Segurança.

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