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08/02/2010 - 06h14

Em meio ao caos, celulares ajudam Haiti a se reerguer

José Luis Paniagua.

Porto Príncipe, 8 fev (EFE).- Apesar da escassez de comida e dinheiro e mesmo com um teto sendo artigo de luxo em Porto Príncipe, os haitianos não deixam de usar os telefones celulares para os fins mais variados.

Onde estão distribuindo comida? Sabe do meu vizinho? Diz a todo mundo que tenho celular! Essas são algumas das coisas ouvidas nas ruas do Haiti desde 12 de janeiro. O telefone é uma das poucas coisas que funcionam em um país devastado pelo terremoto.

Não raro se vê durante uma caminhada por Porto Príncipe filas quilométricas para comprar um cartão de celular ou pessoas que dormem nas ruas, mas se iluminam com a luz gerada por esses aparelhos.

Dormir na rua, algo que dezenas de milhares de pessoas fazem todas as noites em Porto Príncipe, é uma questão de segurança básica perante a falta de uma casa ou o medo de que as construções ainda de pé desabem.

"Há muita gente que anda pelas ruas buscando algo para comer e falam umas com as outras por telefone sobre os lugares em que a ONU ou alguma embaixada distribuem comida", explicou à Agência Efe François Johnson, um jovem técnico em conserto de geladeiras que hoje trabalha recarregando celulares.

François, de 26 anos, vai todos os dias a uma das principais avenidas que ligam o bairro de Petion com o centro de Porto Príncipe e, ali, coloca duas baterias de automóvel e duas réguas com tomadas para que os haitianos possam carregar seus telefones celulares.

"Não se ganha muito, cada carga custa 25 gourdas (US$ 1 = 35 gourdas) e em um dia é possível ganhar cerca de 300 gourdas", explicou o jovem diante das baterias, que jura ter conseguido antes do terremoto.

Como François, centenas de haitianos povoam esquinas e calçadas com tomadas, capas para celulares, oficinas improvisadas, comerciantes de cartões pré-pagos e pequenas tendas onde é possível fazer ligações para o exterior.

Segundo o jovem, muita gente faz agora negócios com os celulares graças ao que foi encontrado nas ruínas dos comércios ou ao que simplesmente foi aparecendo nas ruas.

No Haiti, há três companhias de telefonia celular (Voilá, Digicel e Haitel) e, como conta Angelo, um jovem dedicado à venda de acessórios, já funcionavam poucos dias depois do terremoto.

Não longe de onde Angelo um grupo de trabalhadores tira rapidamente os escombros de um grande prédio derrubado pelo forte terremoto, em um dos poucos casos de remoção com maquinaria pesada e recursos que se pode ver na capital haitiana. Não por acaso, o edifício é uma das sedes da Digicel.

Nos campos de refugiados, a situação é a mesma. Na entrada do Estádio Nacional, há semanas transformado em um dos principais pontos de abrigo da cidade, médicos voluntários e funcionários das Nações Unidas percorrem o local com tomadas para telefones.

"Eu tinha uma casa e agora não tenho nada, a única coisa que posso fazer é isso para conseguir dinheiro e seguir adiante", contou à Efe Gérard, um professor de matemática de 50 anos que vive desde o último dia 15 nesse abrigo. Ele conseguiu resgatar a bateria de seu carro destruído para torná-la ponto de recarga para celulares.

Gérard assegura que a preocupação das pessoas em usar cada amanhã para recarregar o telefone celular abre uma possibilidade para que ele faça o mesmo com sua vida.

"Não posso fazer mais nada. Em um terremoto não é possível dar aulas de matemática", disse.

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