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08/02/2010 - 13h48

Yanukovich vence eleições presidenciais na Ucrânia

Boris Klimenko Kiev, 8 fev (EFE).- O candidato opositor Viktor Yanukovich venceu hoje as eleições presidenciais de domingo na Ucrânia, ao derrotar a primeira-ministra, Yulia Timoshenko, por cerca de 1 milhão de votos.

Segundo os últimos dados oferecidos pela Comissão Eleitoral Central (CEC), Yanukovich (48,49%) supera em 2,57 pontos percentuais a rival Timoshenko (45,92%) após a apuração de 97,56% das urnas.

Dessa forma, o líder da oposição ucraniana pró-Rússia conseguiu a revanche por sua amarga derrota em 2004, na qual Timoshenko e o atual presidente, Viktor Yushchenko, ascenderam ao poder após a Revolução Laranja, quando multidões foram às ruas protestar contra as eleições, consideradas fraudulentas.

Yanukovich, de 59 anos e ex-primeiro-ministro, retornou do ostracismo ao qual foi condenado pelos grandes protestos contra a fraude eleitoral de cinco anos atrás e ascendeu ao poder aproveitando-se das divergências entre os grupos laranjas.

"Farei tudo o que puder para garantir que os cidadãos da Ucrânia, não importa onde vivam, se sintam seguros em um país estável", prometeu Yanukovich em russo, no domingo, após o fechamento dos colégios eleitorais.

O opositor Partido das Regiões, liderado por Yanukovich, pediu a Timoshenko que se comporte como uma política europeia e admita sua derrota.

Enquanto isso, milhares de partidários de Yanukovich se concentraram hoje desde o início da manhã frente à sede da CEC para defender sua vitória no pleito.

"Yanukovich, nosso presidente", descrevem os dizeres em cartazes azuis - em oposição à cor laranja de Timoshenko - que levam muitos dos manifestantes.

Timoshenko, que pagou o preço da aguda crise econômica e de sua inimizade com o presidente Yushchenko, deve oferecer uma entrevista coletiva nas próximas horas. Não se sabe se ela reconhecerá a derrota ou anunciará que vai recorrer à Justiça contra os resultados eleitorais.

Os representantes de seu partido denunciaram "grandes fraudes" na votação de domingo e afirmaram que recorreriam perante os tribunais os resultados nos colégios da região de Donetsk, reduto de Yanukovich.

Às vésperas do segundo turno, a própria Timoshenko advertiu que chamaria seus partidários às ruas em caso de fraude dos resultados eleitorais.

O vice-presidente do Parlamento e um dos dirigentes do Bloco Yulia Timoshenko, Nikolai Tomenko, afirmou hoje que seu partido está "disposto a passar à oposição", mas acrescentou que "é preciso esperar a decisão da CEC".

O coordenador das missões de observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), João Soares, afirmou hoje que a votação tinha sido "um exemplo eloquente de eleições democráticas".

Os observadores da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) pediram à candidata derrotada a reconhecer os resultados do pleito.

O presidente do Legislativo e ex-candidato à Presidência, Vladimir Litvin, descartou um terceiro turno como ocorreu em 2004. No entanto, ele cogita que a derrotada conteste os resultados perante os tribunais devido à estreita margem entre ambos os candidatos.

De qualquer maneira, o Secretariado da Presidência assegurou que Yushchenko está disposto a ceder a chefia do Estado ao vencedor das eleições assim que for confirmada oficialmente sua vitória.

Como é habitual, o país se dividiu em dois entre as regiões orientais, de maior influência russa, que respaldaram abertamente Yanukovich, e as ocidentais, que apoiaram Timoshenko.

Nas regiões industriais orientais de Donetsk e Lugansk, o opositor recebeu em torno de 90% dos votos. Por outro lado, a primeira-ministra superou 80% em quatro regiões ocidentais limítrofes com a União Europeia (UE).

A maioria da população de origem russa, mais de 8 milhões, apoiou Yanukovich, que defende reforçar as relações com o Kremlin e que a língua russa seja a língua oficial ucraniana.

Yanukovich defende tanto a aproximação com a UE quanto a assinatura de um tratado de livre-comércio com os 27 países-membros do bloco, mas se opõe à entrada do país na Otan.

Já os líderes "laranjas" terão que retornar à oposição por não conseguir tirar proveito do apoio que receberam há cinco anos dos países ocidentais para realizar reformas.

Ao contrário de 2004, o Kremlin não se apressou em parabenizar Yanukovich, mas vários deputados do Legislativo russo comemoraram a vitória do líder pró-russo.

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