UOL Notícias Notícias
 

11/02/2010 - 09h07

Frágil Governo de união nacional no Zimbábue completa 1 ano

Harare, 11 fev (EFE).- As lutas pelo poder e as diferenças ideológicas sacodem com maior força o frágil Governo de união do Zimbábue, dirigido pelo ex-líder da oposição, Morgan Tsvangirai, e que completa hoje um ano.

Tsvangirai fez o juramento como primeiro-ministro diante do presidente do país, Robert Mugabe, em 11 de fevereiro de 2009 e dois dias depois formou o Gabinete, composto por ministros do até então opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC) e a governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF).

Muitos zimbabuanos esperavam uma nova era de paz e estabilidade após uma década de crise e violência política, que colocou o país à beira do abismo, mas passado um ano o Executivo parece mais frágil do que nunca.

Em outubro, Tsvangirai e os ministros de seu partido deixaram temporariamente o Gabinete, após denunciar que Mugabe não tinha cumprido o Acordo Político Global, que permitiu formar o Governo de unidade com a mediação da Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional (SADC).

O MDC de Tsvangirai e a Zanu-PF de Mugabe estão imersos em negociações supervisadas pelo presidente sul-africano e atual titular de SADC, Jacob Zuma, para tratar de escavar suas diferenças.

"O Governo está intacto, mas não é realmente tão viável como esperávamos que fosse", disse à Agência Efe John Makumbe, um professor de Ciências Políticas da Universidade do Zimbábue, quem ressaltou que "há problemas sérios, já que muito pouco do poder foi partilhado em seu primeiro ano de existência".

Mugabe, que neste mês completa 86 anos, mantém o controle do Exército, da Polícia, do Serviço Secreto, a Promotoria e os tribunais, assim como a parte política do Gabinete, enquanto o MDC recebeu os ministérios que controlam as finanças, a saúde e a administração pública, que são os mais problemáticos.

Na semana passada, mais de 200 mil professores, médicos, enfermeiros e outros trabalhadores do setor público começaram uma greve para pressionar o Governo, que tecnicamente está quebrado depois de aumentar os salários de US$ 150 para US$ 600 mensais.

"A mensagem dos empregados da administração pública é que as reformas são lentas, que devem ser aceleradas e ser mais visíveis", assinalou Makumbe.

O Instituto de Opinião Pública de Massa (MPOI, na sigla em inglês), de Harare, anunciou nesta semana que o apoio ao Governo de unidade caiu de 80% para 65%, em março passado.

Por sua vez, os Governos e doadores de fundos ocidentais se mantêm cautelosos em seu apoio ao novo regime zimbabuano, enquanto Mugabe conserva o poder.

Mugabe assegura que as "sanções ilegais ocidentais" arruinaram a economia do Zimbábue e, por isso, ordenou aos negociadores da Zanu-PF que não façam mais concessões ao MDC até que essas medidas sejam levantadas.

As sanções da União Europeia, dos Estados Unidos e alguns países consistem em restrições de viagem e congelamento dos fundos no estrangeiro a Mugabe e outras 200 pessoas próximas.

Para agravar a situação, Mugabe ratificou nesta semana uma normativa para confiscar a maioria acionária das empresas de alvos e estrangeiros instaladas no país e repassá-las a negros zimbabuanos, uma lei classificada por Tsvangirai de "nula e sem valor" e que pode espantar o investimento estrangeiro.

Um dos presentes de Tsvangirai, que pediu anonimato, disse que "os da Zanu-PF querem tudo de graça, tal como fizeram com as fazendas dos brancos".

As fazendas foram confiscadas na caótica reforma agrária dos últimos dez anos e entregues aos mais próximos do regime. Agora essas propriedades estão improdutivas, o que levou à escassez de alimentos no país desde 2001.

Anistia Internacional (AI) advertiu ontem que, um ano após formar-se o Governo de unidade, as violações dos direitos humanos se mantêm no Zimbábue e os autores destas atrocidades, militantes da Zanu-PF, o Exército e a Polícia, seguem impunes.

O MDC não deixou de denunciar durante o ano as inúmeras violações e abusos por parte da Zanu-PF dos acordos políticos e a perseguição de seus militantes pelas forças de segurança, a Promotoria e os tribunais e afirma que este "está criando as condições para o colapso do Governo de unidade".

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host