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11/02/2010 - 13h47

Partido e ex-companheiros celebram 20 anos da libertação de Mandela

Johanesburgo, 11 fev (EFE).- Importantes políticos do Congresso Nacional Africano (CNA), o partido de Nelson Mandela, junto de alguns companheiros da luta contra o "apartheid", comemoraram hoje, mesmo sem a presença dele, 20º aniversário de sua libertação da prisão de "Victor Verster".

Milhares de pessoas, convocadas pelo CNA, percorreram os 500 metros que Mandela, em 11 de fevereiro de 1990, em seus primeiros momentos de liberdade após 27 anos de prisão, caminhou enquanto cumprimentava os seus seguidores em frente à prisão, de mãos com a sua então esposa Winnie, que também não participou do ato.

Antes dos discursos e da passeata em frente à prisão, situada nos arredores da localidade de Paarl, os dirigentes do CNA e os antigos companheiros de Mandela se reuniram em um café-da-manhã nessa prisão.

Entre eles estava Cyril Ramaphosa, que liderou o comitê de recepção do CNA que acolheu Mandela na saída da prisão e atualmente é um rico empresário.

Ramaphosa, com antigos combatentes do CNA Mac Maharaj, Ahmed Kathrada e Andew Mlangeni, lideraram a manifestação, à qual se uniram políticos como Kgalema Motlanthe, Trevor Manuel e Julius Malema, e sindicalistas, como Zwelinzima Vavi.

Kahtrada, companheiro de prisão de Mandela, disse aos jornalistas que, após a queda do regime segregacionista do "apartheid", "recuperamos a dignidade".

Para Kahtrada, a queda do apartheid também foi liberada pelos "nossos compatriotas brancos" e com o regime democrático foi possível introduzir o orgulho nas pessoas da África do Sul. Uma nação, uma bandeira e um hino. "Isso é mais importante que todos os bens materiais", disse.

Nos discursos feitos sobre o pedestal da estátua de Mandela que há em frente à prisão, Ramaphosa se dirigiu aos militantes do CNA e assegurou que não foi o então presidente Frederik de Klerk que libertou Mandela, "vós liberastes Mandela".

Julius Malema, líder das Juventudes do CNA, atacou Klerk, que compartilhou com Mandela o Prêmio Nobel da Paz em 1993, por ter colocado um fim ao "apartheid" e o acusou de "instigar a violência de negros contra negros" e disse que "o racismo foi sua única herança".

Também subiu ao palanque Zwelinzima Vavi, secretário-geral da Central Sindical da África do Sul (Cosatu), aliada do CNA, que em outro tom celebrou os triunfos democráticos do país nas duas décadas transcorridas desde a libertação de Mandela.

"Somos uma democracia respeitada" disse Vavi, que elogiou a Constituição do país e assinalou que fizeram muitos progressos em questões sociais, por isso que insistiu aos sul-africanos a "continuar com o legado de Nelson Mandela" e conseguir que "a economia trabalhe para a maioria" e acabem as desigualdades.

Trevor Manuel, ministro do Governo, do mesmo palanque, lembrou o dia da libertação de Mandela, quando a caravana de carros do CNA que acompanhava o seu veículo na saída da prisão o perdeu.

Os dirigentes do CNA o encontraram mais tarde em uma casa na localidade de Rondebosch, onde "já havia tirado os sapatos, bebia chá e conversava com sua família", e, a partir dali, foram para a Prefeitura da Cidade do Cabo, onde fez seu primeiro discurso em liberdade.

Nesta tarde, no Parlamento da Cidade do Cabo, Mandela, que raras vezes aparece em público desde que deixou a política há quase uma década, receberá uma homenagem dos legisladores de seu país e convidados ao discurso do estado da nação de Jacob Zuma.

Jacob Zuma, quarto presidente negro da África do Sul, após Mandela, Thabo Mbeki e Kgalema Motlanthe, é previsível que se estenda em seu discurso sobre a importância da data, mas não poderá evitar a grave situação econômica e a perda de quase 1 milhão de postos de trabalho nos nove primeiros meses de 2009.

Em seu discurso de posse em maio, Zuma prometeu criar 500 mil empregos em um ano, mas os números assinalam que não conseguiu alcançar a meta, tanto os sindicatos, seus aliados, como a oposição, reivindicam que explique como pensa mudar esta situação.

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