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11/02/2010 - 22h24

Prisão de Arruda abre precedente em luta contra corrupção

Brasília, 11 fev (EFE).- A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de ordenar hoje a prisão preventiva do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), por envolvimento em um suposto esquema de corrupção no Governo local, abre um precedente na luta contra a impunidade no país.

Arruda, de 56 anos, se entregou hoje na sede da Polícia Federal (PF), pouco depois de o STJ ordenar sua prisão preventiva e a de mais cinco pessoas ligadas ao Governo do Distrito Federal acusadas de tentar subornar um jornalista.

Tiveram a prisão preventiva decretada o suplente de deputado distrital Geraldo Naves; do ex-secretário de Comunicação do governador, Wellington Moraes; do ex-secretário e sobrinho de Arruda, Rodrigo Arantes Carvalho, e Haroldo Brasil Carvalho, ex-diretor da Companhia Energética de Brasília (CEB), origem funcional e política de Arruda.

Além disso, o STJ decretou a prisão de Antonio Bento, funcionário público aposentado e conselheiro do metrô do Distrito Federal.

Bento está preso desde a semana passada em Brasília, quando foi flagrado pela Polícia Federal (PF) quando entregava uma sacola com cerca de R$ 200 mil ao jornalista Edson dos Santos, o "Sombra".

O Ministério Público Federal tinha oferecido uma denúncia contra Arruda e os outros cinco citados no decreto de prisão preventiva do STJ por formação de quadrilha e corrupção de testemunha, o que serviu de base para a decisão de hoje, que também determinou o afastamento de Arruda do cargo de governador.

"A prisão do governador José Roberto Arruda pode ser o marco histórico da quebra da impunidade na política brasileira. A Justiça agiu, como é de seu dever", disse em comunicado o presidente da Ordem de Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante.

Segundo Cavalcante, "a sociedade brasileira pode, enfim, acreditar que há luz no fim do túnel".

No entanto, a permanência de Arruda na prisão depende do resultado que seus advogados conseguirem com um pedido de habeas corpus apresentado no Supremo Tribunal Federal (STF) e que será analisado hoje mesmo por um dos ministros da corte.

O governador do Distrito Federal está no olho do furacão desde novembro,quando seu ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa divulgou imagens gravadas com câmeras escondidas nas quais se vê Arruda, deputados distritais e membros de seu Governo negociando a partilha de propinas.

Apesar de não aparecer em nenhuma das gravações, o escândalo chegou também ao vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio Alves Pereira (DEM), que deve ocupar o lugar de Arruda, razão pela qual o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu uma intervenção do Governo federal na Administração local.

Pressionado pelo escândalo e por protestos populares, Arruda deixou o DEM em dezembro, mas, apesar da ordem de detenção, continua como governador. Hoje, enviou uma carta à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) na qual pede licença do cargo "pelo tempo que perdurar esta medida coercitiva".

Arruda, que há nove anos teve que renunciar ao Senado por outro caso de corrupção, diz na carta ser vítima de uma "campanha insidiosa" e, embora tenha considerado a decisão do STJ como "imprópria, absurda", disse que deve acatá-la.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se pronunciou sobre a detenção, mas segundo a imprensa local, assessores seus disseram que recebeu a notícia com tristeza por considerar que não é bom para o país que um governador seja preso.

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