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12/02/2010 - 15h27

Ativistas pedem ajuda para levar democracia ao Irã

Virgínia Hebrero.

Genebra, 12 fev (EFE).- A advogada iraniana Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz em 2003, se juntou a outros ativistas pró-direitos humanos para denunciar a "pior" etapa de repressão no Irã e pedir à comunidade internacional que ajude a levar a democracia ao país.

Entretanto, tanto Ebadi como a ONG Anistia Internacional (AI) foram contra a aplicação de novas sanções econômicas ao país como represália pelo programa nuclear iraniano, ao considerar que estas apenas servirão para prejudicar o povo.

"A violação dos direitos humanos no Irã piora de ano em ano", disse a advogada iraniana a jornalistas, em um ato na ONU prévio ao exame periódico universal ao qual o país será submetido na próxima segunda-feira, no Conselho de Direitos Humanos.

Ebadi advertiu que o povo iraniano não agüentará muito mais tempo realizando apenas manifestações de caráter pacífico se o Governo não lhe escutar.

"O povo iraniano quer a democracia e o respeito dos direitos humanos. Não queremos recorrer à violência, mas quanto tempo podemos pedir aos jovens que sigam mantendo a calma?", perguntou.

A mesma advertência foi feita esta semana em carta enviada ao Conselho de Direitos Humanos e à alta comissária da ONU, Navi Pillay. No documento, ela ressalta que "amanhã pode ser tarde demais", e que é preciso fazer algo para evitar que o povo iraniano viva "uma tragédia em direitos humanos".

Em declarações à Agencia Efe, Ebadi se mostrou confiante de que "a democracia chegará ao Irã e que ela deve vir de dentro do país", mas apontou que não pode dar um calendário para isso porque depende de muitos fatores.

"Este processo pode levar meses ou anos porque há fatores que influenciam, como a situação nos países vizinhos, Iraque e Afeganistão, o preço do petróleo, e as relações entre Irã e Estados Unidos, mas estou convencida de que a democracia chegará", afirmou.

Ao invés de apoiar punições econômicas pelo Ocidente, ela disse que seriam medidas "úteis" impedir a venda de armas ao regime islâmico de Teerã e que multinacionais, entre elas Siemens e Nokia, deixem de vender tecnologia que o Governo iraniano usa para bloquear sites e telefones celulares, censurando assim os protestos.

Ebadi disse ainda que, se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitar o Irã em maio, deve falar com opositores, ativistas e familiares de detidos e não apenas com os governantes.

Segundo a vencedora do Nobel, algo diferente disso seria uma violação de os direitos humanos.

"Eu acredito no diálogo, acredito que, se o presidente brasileiro vai ao Irã, não há nada errado nisso. Todas as visitas (de líderes estrangeiros) são úteis, mas só se falarem com a oposição, com os parentes dos detidos, e não só com os responsáveis políticos", afirmou a iraniana.

Para a advogada, a visita de Lula só seria aceitável "se as conversas com os dirigentes não se limitassem aos assuntos econômicos, mas também comentassem a situação dos direitos humanos".

De acordo com Ebadi, "se (Lula) só vier ver (o presidente iraniano, Mahmoud) Ahmadinejad e outros dirigentes e assinar acordos econômicos, isto iria contra os direitos humanos e contra a democracia".

"Na História, os Governos vão e vêm, mas os povos ficam", ressaltou, ao pediu a garantia de que Lula vai se interessar pelos direitos humanos no Irã.

Em novembro, Lula recebeu em Brasília o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. A aproximação com o Irã gerou críticas de setores conservadores no Brasil e de países como Israel.

Segundo a imprensa brasileira, o Governo estaria estudando a possibilidade de anular a possível visita de Lula devido à situação interna no Irã e aos conflitos com o Ocidente relacionados ao programa nuclear iraniano.

O Brasil se manifestou a favor do diálogo com o Irã e contra a imposição de sanções econômicas.

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