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12/02/2010 - 06h12

Canadá quer usar Jogos de Inverno para projeção internacional

Julio César Rivas.

Toronto (Canadá), 12 fev (EFE).- Após sete anos de espera, Vancouver abre hoje os Jogos Olímpicos de Inverno pronta para mostrar ao mundo que o Canadá tem condições de ocupar um lugar de destaque no cenário internacional.

Sempre à sombra de um poder imperial, primeiro britânico e depois americano, os canadenses encaram a disputa como a primeira oportunidade no século XXI para demonstrar que chegou o momento de alçar voos mais altos.

E Vancouver, considerada uma das cidades mais caras do país desde antes da escolha como sede dos Jogos, é a encarregada de fazer esta apresentação à comunidade internacional.

De um ponto de vista puramente esportivo, 100% dos especialistas concordam que o evento quebrará a "maldição" olímpica que perseguiu o Canadá no século passado: de ser o único anfitrião dos Jogos que nunca conseguiu ganhar uma medalha de ouro em casa.

A nação teve sua primeira frustração nos Jogos de Montreal, em 1976, e voltou a fracassar em 1998, quando Calgary sediou as disputas de inverno.

Entretanto, desta vez o país fez todo o possível para colocar o maior número de atletas possível no alto do pódio - mesmo que, se necessário, fosse preciso deixar de lado o espírito de "fair play" que sempre identificou os canadenses.

Um exemplo é que a equipe de patinação de velocidade dos Estados Unidos reclamou que o Canadá limitou seus treinamentos nas instalações olímpicas com a justificativa de dar mais chances aos donos da casa. A queixa foi generalizada.

Alguns consideram que atitudes como esta mostram a "maturidade" do Canadá.

Moderna e cosmopolita, Vancouver não poupou esforços para que a cidade brilhe como nunca, algo completamente oposto à discrição que caracterizou o povo canadense durante grande parte de sua história.

O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Vancouver 2010 (Vanoc, em inglês) não revelou o total gasto na organização do evento. Em 2007, o orçamento era de US$ 1,630 bilhão.

Mas as autoridades canadenses também fixaram o custo da segurança de um dos maiores eventos esportivos do mundo em US$ 175 milhões, embora posteriormente tenham reconhecido que o número não refletia a realidade.

Os últimos valores não oficiais colocam os gastos acima de US$ 1 bilhão, para garantir o envolvimento de milhares de policiais, soldados e seguranças particulares.

Há um ano, o jornal "The Vancouver Sun" estabeleceu que o custo real dos Jogos Olímpicos de Inverno superará os US$ 6 bilhões, e que, mesmo exagerado, o orçamento deixará um déficit a ser pago pelos contribuintes da cidade e de todo o Canadá.

A cidade já sente os reflexos da gestão, com o fechamento de escolas durante os Jogos e a demissão anunciada de centenas de professores em 2011 para compensar o rombo de dezenas de milhões de dólares previsto para o próximo ano letivo.

Até mesmo o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, decidiu em dezembro suspender parte das sessões do Parlamento para permitir que o país se "concentre" nos Jogos de Vancouver. A pouco comum decisão trouxe um bom número de protestos.

Mas também há boas coisas a se dizer. A cidade teve reformado seu sistema de transporte urbano, e as duas Vilas Olímpicas (em Vancouver e Whistler) são exemplos de desenvolvimento sustentável e ambiental levado ao extremo. Novas instalações também estimularão a prática do esporte entre a população.

Mesmo assim, a chegada de 250 mil visitantes ao Canadá e os 3 milhões de espectadores que estarão mais perto de Vancouver através das transmissões de televisão não anima aqueles canadenses que se consideram mais próximos à tradicional modéstia do país.

Grupos que lutam contra a pobreza no país, defensores dos direitos dos indígenas canadenses e até organizações ambientais concentraram suas críticas no que consideram um "desperdício olímpico".

Durante a realização dos Jogos, de 12 a 28 deste mês, eles planejam fazer barulho para mostrar sua opinião - em sintonia com a tradição canadense de permitir a livre manifestação de opiniões.

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