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12/02/2010 - 12h47

ONU tenta evitar nova tragédia em Haiti ainda devastado

Marta Hurtado.

Genebra, 12 fev (EFE).- Um mês depois do devastador terremoto, as agências humanitárias da ONU lamentam não terem resolvido os problemas mais emergenciais de alojamento e saneamento no Haiti e temem uma nova catástrofe com a chegada do período de chuvas.

"Temos que entender uma coisa, a catástrofe não pode ser comparada a nenhuma outra que enfrentamos antes. Tivemos que enfrentar uma situação de quase total destruição do Haiti", esclareceu hoje em entrevista coletiva a porta-voz do Programa Alimentício Mundial (PAM), Emilia Casella.

Com a capital, Porto Príncipe, quase totalmente destruída pelo terremoto (de 7 graus de magnitude na escala Richter), praticamente sucumbiram também a capacidade de reação do Governo, dos serviços civis e das redes sociais preexistentes.

"O tsunami (de 2004 no sudeste asiático) foi uma catástrofe enorme, mas as capitais puderam se mobilizar desde o primeiro instante e pôr à disposição todos os recursos existentes. Isso no Haiti simplesmente não existiu, porque tudo ficou destruído", explicou Casella.

Segundo ela, até o momento o PAM alimentou 2,5 milhões de pessoas, menos de um terço dos nove milhões de haitianos.

A singularidade da tragédia do Haiti é também o argumento utilizado para explicar porque hoje, 30 dias depois do terremoto, a situação ainda está longe de estar sob controle.

"É difícil acreditar que quatro semanas depois do tremor, tantas pessoas vivam ainda debaixo de lençóis nos acampamentos e nas ruas", assinalou em comunicado o presidente internacional da Médicos sem Fronteiras, Chistophe Fournier.

"A operação no Haiti é a resposta mais complexa a uma catástrofe que a ONU teve que enfrentar", afirmou, por sua vez, Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório de Coordenação para Assuntos Humanitários das Nações Unidas (Ocha).

Para enfrentar a catástrofe, as Nações Unidas fizeram uma chamada de emergência solicitando US$ 576,9 milhões, valor já coberto em 95%.

No entanto, a cifra será revisada no próximo dia 17 de fevereiro e, segundo estimativas da Ocha, o novo pedido rondará US$ 1,5 bilhão.

A magnitude da tragédia causada pelo terremoto se explica em números: 200 mil mortos; 300 mil feridos; 1,2 milhão sem casa; e mais de 700 mil sem abrigo adequado.

A quantidade de sem-teto é a principal razão da indignação e da preocupação dos grupos de ajuda, que alertam que a situação pode piorar e ter consequências catastróficas se não for mudada radicalmente.

"Estamos diante de uma situação potencialmente catastrófica", advertiu Byrs, que como o resto de seus colegas assinala que é urgente abrigar as pessoas que estão nas ruas para evitar tragédias como eventuais inundações.

O temor das agências humanitárias está na possibilidade de que, por causa das intensas chuvas que começam a cair no Haiti a partir de março, os rios transbordem e haja deslizamentos de terra.

Como os desabrigados buscam facilidade para encontrar água, muitos dos acampamentos improvisados estão perto de rios. Outros estão nos morros que cercam a capital, com o que, em caso de tempestades intensas, seriam os primeiros a estar em situação de perigo.

Entre os problemas mais sérios está a total falta de saneamento e o risco quase inevitável de que surjam focos de doenças.

Para evitar que a situação se agrave, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) fizeram hoje uma chamada conjunta para solicitar a não-repatriação de haitianos.

"Urgimos com os países para que suspendam todos os retornos involuntários ao Haiti. Não é o momento", diz o comunicado conjunto, que não cita nomes.

Os desafios e os temas para resolver, por enquanto, se acumulam.

"É necessário urgentemente ajuda psicossocial", lembrou Byrs, após explicar que a maioria da população está seriamente traumatizada.

Outro aspecto, lembrado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), é tentar atenuar as sequelas nas crianças e adolescentes, em um país em que 40% da população é menor de 14 anos.

Finalmente, um desafio maior é evitar que em meio ao caos, os grupos criminosos se reorganizem, dado que cinco dos oito mil detentos que ocupavam as prisões do Haiti conseguiram fugir após o terremoto e apenas 200 foram detidos.

"Todo o trabalho que durante três anos foram feitos pelos capacetes azuis (da ONU) se perdeu no terremoto", disse Corine Momal-Vanian, porta-voz das Nações Unidas em Genebra.

Por enquanto, poucos se atrevem a falar do risco maior e que poderia ser ainda mais devastador para o Haiti: a temporada de furacões, que começa em junho.

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