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17/02/2010 - 10h17

Vontade dos deuses gera boom de casamentos em Nova Délhi

Julia R. Arévalo.

Nova Délhi, 17 fev (EFE).- Depois do anúncio dos astrólogos da chegada de tempos pouco favoráveis ao casamento em Nova Délhi, dezenas de milhares de famílias hindus se apressaram para casar os filhos na capital indiana.

"Quando Vênus se oculta, os deuses vão dormir e, nesses dias, ninguém pode se casar", explicou à Agência Efe o astrólogo e sacerdote hindu Vaipayee, que qualificou 16 de fevereiro como "especialmente auspicioso" e 19 como "a última oportunidade" para o casamento antes do abrasador mês de março.

As estrelas foram este inverno avaras em datas boas para os noivos hindus e fomentaram a ganância dos organizadores de cerimônias, que subiram os preços à vontade em uma cidade em que estavam previstos mais de 30 mil casamentos apenas para ontem.

Uma indústria como a do casamento não entende de recessão na Índia, onde a união é o máximo acontecimento para os namorados e sua família: com um valor calculado em US$ 10 bilhões, o setor cresce 25% ao ano.

Escolhida a data, o estresse se apodera da família, que começa com a prolixa tarefa de preparar a lista de convidados e de entregar em mãos os convites mais importantes.

Em meio a isso, um furacão de compras: roupas luxuosas e joias espetaculares não só para os noivos, mas também para a família convidada.

Shilpi e Paramjeet começaram a preparação em meados de janeiro e viveram um mês mais que intenso. Ele foi a casa dela e colocou uma "tika", uma marca vermelha na testa com a qual ficou "reservado" como marido. A cerimônia tradicionalmente é acompanhada da entrega de dote, que precede o "sagai" (troca de anéis).

O casal rompeu alguns padrões do casamento tradicional: têm religiões distintas - embora todo o evento tenha seguido o ritual hindu -, a família dele não exigiu dote, se casam por amor, optaram por fazê-lo no dia 14 e viverão em casa própria.

Um dia antes do casamento, houve a cerimônia do "haldi", uma pasta de cúrcuma e farinha de grão-de-bico, que no passado servia como creme para depilar e hoje é usada para embelezar a pele da noiva dando brilho.

À tarde, os namorados realizaram separadamente uma espécie de despedida de solteiro: cada um com seus amigos, as mulheres usam a "hena" em belos desenhos em braços e pernas e dançam ao som de canções durante o "sangeet".

A família de Shilpi assumiu, como é tradição, o grosso das despesas, que incluem desde a viagem, o alojamento e as roupas dos parentes mais próximos até o grande banquete de casamento, com cerca de mil presentes.

O noivo foi ao banquete em uma carruagem puxada por cavalos, recebeu a noiva em um trono e pacientemente cumprimentaram e tiraram fotos durante horas com os convidados, enquanto a música e a comida entretinham os demais presentes.

A farta e movimentada cerimônia pré-nupcial deu espaço ao ato íntimo que, finalmente, é se casar na Índia: apenas cerca de 50 parentes seguiram de madrugada os mantras e ritos guiados por um sacerdote com que, após dar sete voltas como promessas em torno de um fogo, Shilpi e Paramjeet se casaram.

Apesar do intenso frio, o casamento se realiza de noite e ao ar livre em uma cidade que parece pequena para acolher tantas cerimônias e tantos visitantes nas mesmas datas.

Os hotéis estão lotados e, com apenas cerca de 100 salões de casamento disponíveis, tendas coloridas instaladas em parques, perto das casas dos noivos ou em mansões alugadas servem para lembrar que metade de Délhi está casando nos últimos dias.

Um toque "kitsch" adorna Délhi enquanto os deuses seguem acordados: tendas com formas de Taj Mahal, flores e sinais luminosos, noivos vestidos de vermelho e ouro, e felizes comitivas nupciais interrompendo o trânsito contribuem para deixar mais movimentada a já caótica capital indiana.

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