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18/02/2010 - 16h39

AIEA expressa preocupação com programa nuclear iraniano

Viena, 18 fev (EFE).- A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) expressou sua preocupação com a possível dimensão militar do polêmico programa nuclear do Irã, que parece ter realizado uma série de atividades suspeitas desde 2004.

Em um relatório reservado ao qual teve acesso a Agência Efe, a AIEA assegura que o Irã continua sem cooperar o suficiente em sua missão de determinar se as atividades nucleares iranianas buscam ou não um objetivo pacífico.

Além disso, a agência informa que medições espectrométricas realizadas pelo Irã confirmariam que seus técnicos conseguiram enriquecer pequenas quantidades de urânio a uma pureza de 19,8%, muito mais do que o conseguido até agora.

Em declarações à Agência Efe, um alto funcionário internacional próximo à AIEA confirmou hoje que essas medições são corretas.

Com este material, o Irã deseja produzir combustível para um reator científico em Teerã, que fabrica desde a década de 1970 isótopos para o tratamento do câncer.

Segundo o relatório, os técnicos iranianos transferiram na presença dos inspetores 1.950 quilos de urânio pouco enriquecido a uma usina piloto em Natanz (centro do país).

Nesse contexto, os inspetores criticam o Irã por não ter informado anteriormente sobre suas intenções de aumentar o enriquecimento de urânio para 20%, como está estabelecido no acordo de salvaguardas com a agência.

Diante da falta de acordo sobre a mudança de urânio enriquecido iraniano ao exterior e a conversão ali em combustível para o reator, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou no início deste mês que seu país aumentará o enriquecimento para 20%.

O urânio com uma pureza inferior a 20% é considerado como "pouco enriquecido". Acima desse nível, os físicos nucleares consideram urânio "altamente enriquecido".

Ao dominar o enriquecimento superior a 5%, o Irã se aproxima cada vez mais da capacidade de poder enriquecer a níveis próximos a 90%, necessário para fabricar armas atômicas. Uma vez enriquecido em pequena escala, a obtenção de grandes escalas torna-se uma questão de tempo.

Devido a suspeitas lançadas pelo Ocidente com supostas provas em 2006, os inspetores desejam esclarecer, entre outros assuntos, atividades relacionadas com a produção de explosivos nucleares no Irã, a manufatura de compostos para explosivos especiais e a origem de experimentos para gerar e detectar nêutrons.

"Responder a esses grandes temas é importante para esclarecer as preocupações da agência sobre as atividades, que parecem ter sido contínuas desde 2004", aponta o documento de 10 páginas, cujo autor é o novo diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano.

"Em seu conjunto, isso causa preocupação sobre a possível existência de atividades não-declaradas no passado e na atualidade, relacionadas com o desenvolvimento de uma carga nuclear para um míssil", concluem os inspetores no documento.

A AIEA parece respaldar dessa forma as suspeitas que têm há anos os principais países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, que, ao contrário do assegurado por Teerã, o programa nuclear iraniano poderia ter fins militares.

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