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18/02/2010 - 13h48

Pais de Madeleine ganham julgamento contra o ex-inspetor do caso

Em Lisboa

Nesta quinta-feira, a Justiça portuguesa aceitou o pedido dos pais da menina britânica Madeleine McCann, desaparecida em 2007, e decidiu manter a proibição do livro do ex-inspetor do caso que é relacionado com a suposta morte da menor.

A juíza encarregada da causa, Gabriela Cunha Rodrigues, do Tribunal Civil de Lisboa, proibiu hoje a venda do livro, "Maddie, a Verdade da Mentira", cuja suspensão cautelar foi ordenada em 9 de setembro, mas o autor, Gonçalo Amaral, anunciou que recorrerá da sentença.

Depois de conhecer a decisão judicial, Amaral diz estar se sentindo "censurado", e os representantes dos pais da menina, Kate e Jerry McCann, anunciaram que seguirão adiante com outros processos interpostos contra ele e estudam um pedido de reabertura do caso Madeleine, fechado em 2008.

"Sinto-me completamente censurado. Esta era uma das decisões possíveis e vamos recorrer", declarou aos jornalistas, na porta do tribunal, o ex-policial, que acrescentou: "aqui estão em questão direitos fundamentais, mas há cidadãos que estão privados de sua liberdade de expressão".

A advogada dos McCann, Isabel Duarte, ressaltou que a juíza considerou em sua decisão que "o livro só cita partes da investigação com a intenção de dirigir o rumo para a sua tese final", considerada pelos pais de Madeleine como falsa e difamatória.

Os McCann, que não foram hoje ao tribunal, mas assistiram a outras audiências desde que começou o processo em janeiro, negaram sempre as insinuações do livro de Amaral sobre a sua suposta relação com o desaparecimento da menina e responsabilizam o policial de ter prejudicado a busca pela menor, que acreditam estar viva.

Por sua vez, o ex-inspetor que dirigiu a investigação inicial sobre Madeleine e se aposentou antecipadamente sem conseguir provar o envolvimento dos pais e lamentou hoje que com esta sentença "o povo português está proibido de formar uma opinião, ter acesso a toda a informação e tirar suas próprias conclusões".

O policial aposentado sugeria em "Maddie, a Verdade da Mentira" que os pais de Madeleine tiveram envolvimento na morte acidental da menina, desaparecida em um apartamento em uma praia no sul de Portugal, e na posterior ocultação do cadáver.

"O livro está em um contexto de seis meses de investigação, nos quais chegamos a ser considerados incompetentes, e eu fiz uma narração analisando nesse período, uma opinião que era compartilhada por companheiros e pela Polícia portuguesa e inglesa", explicou hoje Amaral.

A advogada dos pais de Madeleine assinalou que seus clientes seguirão adiante "com mais processos" contra o ex-inspetor, após uma decisão judicial "que é uma vitória para todo o povo".

Duarte detalhou que a decisão representa "a manutenção total" das providências sobre a proibição de venda do livro e a de falar sobre a sua tese, conceder entrevistas e reeditar livros e vídeos.

"A juíza entendeu que o livro violava os direitos das pessoas, o direito ao bom nome, o direito das crianças", acrescentou.

Segundo a advogada, Kate McCann enviou uma mensagem, após saber da decisão judicial, no qual destaca o esforço realizado.

A equipe de advogados dos pais de Madeleine trabalha desde a semana passada com informação sobre o caso para "voltar a analisá-la" e estuda a possibilidade de reabrir o processo pelo desaparecimento.

Madeleine desapareceu em 3 de maio de 2007, quando ia completar quatro anos, e seus pais organizaram uma campanha nos meios de comunicação para buscá-la que arrecadou vários milhões de euros em doações.

Os McCann deixaram Portugal em setembro daquele mesmo ano, após serem declarados suspeitos formais do caso, por causa dos vestígios de Madeleine e pegadas de um corpo e um automóvel alugado depois do desaparecimento.

Encerrado por falta de provas, os McCann, foram indenizados por vários meios britânicos que tinham informado sua possível relação com o desaparecimento de Madeleine.

 

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