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20/02/2010 - 14h54

Lula evoca preconceito contra a mulher ao lançar Dilma candidata

Brasília, 20 fev (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje a seus eleitores que aproveitem a campanha de Dilma Rousseff para as eleições presidenciais de 3 de outubro para "acabar com os preconceitos contra a mulher na política e na sociedade".

Lula participou do ato em que Dilma, uma economista de 62 anos sem nenhuma experiência eleitoral, teve sua pré-candidatura à Presidência oficializada pelo PT.

Em seu discurso, Lula lembrou de vários momentos de sua relação com a ministra-chefe da Casa Civil, a quem conheceu em 2002, durante a campanha que o levou à Presidência pela primeira vez.

O presidente destacou que Dilma chamou sua atenção pela firmeza das colocações que fazia enquanto ajudava na preparação do programa de Governo do partido e também por sua enorme preocupação com os problemas energéticos que o Brasil enfrentava à época.

"Essa mulher me surpreendeu e nomeei-a ministra de Minas e Energia" em 2003, disse Lula, que dois anos depois, em meio à crise do "mensalão", designou-a ministra da Casa Civil, o cargo de maior poder no gabinete de ministros.

"Vocês não sabem o que é discutir com esta mulher", disse Lula, brincando com a fama de antipática de Dilma, uma mulher de personalidade forte, que na adolescência envolveu-se com grupos armados que lutavam contra a ditadura e que passou três anos presa, período no qual sofreu sérias torturas.

Ao evocar essa passagem da vida da pré-candidata, Lula ficou sério e advertiu ao PT que, durante a campanha, a oposição "possivelmente a acusará de seqüestradora e dirá que ela esteve presa".

No entanto, o presidente afirmou que a campanha deverá servir também "para explicar que, em uma época, neste país os presos eram os que lutavam pela democracia, a liberdade e os direitos humanos".

Lula avaliou ainda o fato de Dilma ser a primeira mulher com oportunidades reais de chegar ao poder no Brasil.

"Mulheres do meu querido Brasil, esta é uma oportunidade única para que vocês arregacem as mangas e mostrem o que são e o que valem", afirmou o chefe de Estado, segundo quem as mulheres "ainda são tratadas como objetos de segunda classe" e que "isso não se muda com uma lei, mas talvez com uma eleição".

Ao comentar o papel da mulher na sociedade, Lula confessou, sorridente, que sua vida era muito mais "cômoda" antes de 1980, quando fundou o PT e começou a ouvir de "feminismo e direitos".

Ele disse que sua mulher, Marisa, presente no ato deste sábado, "começou a se politizar e a estabelecer limites, a colocar as coisas em casa em igualdade de condições".

"Ela acabou incomodando minha vida, que era muito mais tranqüila" sem o feminismo, brincou.

Lula também reiterou que Dilma não será uma candidata que vai para preparar seu possível retorno ao poder em 2014.

"Quero que Dilma ganhe estas eleições para que faça um grande Governo e seja reeleita dentro de quatro anos", afirmou Lula, para quem, em política e assuntos eleitorais, "rei morto" significa "rei posto".

Em outro trecho de seu discurso, o presidente garantiu que a pré-candidata do PT representará a continuidade de suas políticas internas e externas.

"Ela é candidata de um Governo que estendeu a mão a Evo Morales, a Hugo Chávez e que quer ajudar o Paraguai. Um Governo que sabe que, na relação internacional, o Brasil deve estender sua mão fraterna e solidária, porque não pode ser uma ilha de prosperidade rodeada de miseráveis", afirmou.

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