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25/02/2010 - 00h34

Lula se encontra com Fidel em dia tenso em Cuba

Antonio Martínez Havana, 24 fev (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou hoje com o líder cubano Fidel Castro, a quem chama de "velho amigo", em um dia crítico na ilha pela morte de um preso político após 85 dias de greve de fome.

A notícia da morte do dissidente Orlando Zapata Tamayo, pedreiro de 37 anos detido desde 2003, foi divulgada durante a tarde de terça-feira, antes que Lula deixasse a cúpula do Grupo do Rio, no México, e viajasse a Havana. Ele estava em jejum voluntário para pedir melhorias no tratamento aos presidiários cubanos.

O presidente também se reuniu com seu colega cubano, o general Raúl Castro, irmão mais jovem e sucessor de Fidel, que falou pela primeira vez sobre a morte do presidiário a pedido dos jornalistas brasileiros que acompanhavam o encontro, quando os dois visitavam obras em um porto na região de Havana.

Raúl assegurou que lamentava a morte de Tamayo, mas acrescentou que a culpa é "dos Estados Unidos" e garantiu que na ilha não há torturas.

"Não houve torturados, não houve execução. Isso acontece na base (americana) de Guantánamo" (leste de Cuba), afirmou o líder no Porto de Mariel, sem a presença de jornalistas estrangeiros credenciados em Cuba. Apenas profissionais de imprensa brasileiros puderam cobrir o evento.

Em declarações também concedidas exclusivamente à imprensa brasileira, Lula disse que lamenta "profundamente que uma pessoa tenha morrido por uma greve de fome". Tamayo será enterrado nesta quinta-feira na localidade de Banes, na província de Holguín (leste de Cuba), zona que, segundo a oposição, está tomada por policiais e agentes da segurança do Estado.

Cerca de cinquenta presos políticos cubanos pediram a Lula, em carta aberta, que intercedesse por sua libertação, e em particular pela de Tamayo, antes de sua morte, mas o presidente disse que não recebeu "nenhuma carta".

Sobre a reunião com Fidel, que também teve a participação de Raúl, a imprensa oficial cubana disse que os líderes "conversaram largamente sobre diversos e importantes temas, em particular sobre a XV Conferência Internacional sobre a Mudança Climática, realizada em Copenhague, em dezembro do ano passado".

Também falaram sobre "os resultados positivos alcançados na recém finalizada cúpula pela unidade da América Latina e do Caribe", que aconteceu em Playa del Carmen, no caribe mexicano.

"O comandante felicitou o presidente brasileiro por seu brilhante desempenho à frente da República Federativa do Brasil, que elevou o apoio da população a níveis nunca alcançados por um líder de seu país", acrescenta o texto oficial cubano.

Fontes oficiais brasileiras distribuíram várias fotos dos três líderes no jardim de uma ampla residência havanesa.

Antes do final da visita, Lula e Raúl assinaram no emblemático Palácio da Revolução de Havana vários acordos bilaterais.

Entre eles, um de associação econômica de empresas cubanas e brasileiras para as obras do porto de Mariel, que foi visitado pela manhã, e no qual já estão comprometidos investimentos brasileiros, que poderiam chegar, segundo fontes oficiais, a US$ 500 milhões.

Os demais textos incluem áreas como saúde, infraestruturas, comunicações, comércio e produção agrícola.

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