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25/02/2010 - 12h12

Oposição cubana denuncia condições do enterro de Zapata

Havana, 25 fev (EFE).- O corpo do dissidente cubano Orlando Zapata foi enterrado na manhã de hoje, em Banes, sua cidade natal, "sob um verdadeiro estado de sítio", informaram fontes da oposição.

Elizardo Sánchez, porta-voz da Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, disse à Agência Efe que Banes, na província de Holguín (leste), estava "ocupada desde terça-feira", quando Zapata morreu após 85 dias de greve de fome.

Ele reivindicava tratamento de "preso de consciência", um status do qual era reconhecido pela Anistia Internacional.

Pelo menos 50 opositores foram detidos nos últimos dias ou forçados a ficar em suas casas, para evitar que fossem ao velório e ao enterro em Banes.

Banes "era como um povo tomado pelo Exército japonês nas Filipinas", com todas as entradas e lugares públicos interditados por agentes da segurança do Estado, acrescentou Sánchez, confirmando o que foi dito desde quarta-feira por outros dissidentes.

A oposição e a família de Zapata acusam o Governo, presidido general Raúl Castro, de ter retido até depois do meio-dia de quarta-feira o corpo do dissidente. Eles também criticam o Governo por exigir à mãe, Reina Tamayo, que o enterrasse nessa mesma tarde.

Segundo Sánchez, a família se sentiu insultada e pediu a oportunidade de velar o corpo. Após consultar Havana, os agentes de segurança aceitaram finalmente adiar o enterro, primeiro por algumas poucas horas e finalmente até às sete da manhã de hoje.

"Queriam enterrá-lo antes que a população de Banes acordasse", acrescentou o porta-voz da CCDHRN.

A blogueira Yoani Sánchez informou hoje à Agência Efe que na quarta-feira foi detida temporariamente quando estava a caminho da sede das Damas de Branco, grupo de familiares de 75 opositores presos em 2003. Ela ia ao local para assinar o livro de condolências pela morte de Zapata.

A imprensa oficial cubana continua sem se pronunciar hoje sobre a morte de Zapata e evita inclusive a declaração que o próprio general Castro fez ontem quando estava com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita ao país.

Castro tinha dito que lamenta a morte de Zapata, mas a atribuiu ao confronto de meio século com os Estados Unidos. Ele disse que em Cuba não há tortura, exceto na prisão americana de Guantánamo, em respostas a denúncias da mãe do dissidente.

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