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25/02/2010 - 16h32

Zapata é enterrado em Cuba; imprensa oficial continua em silêncio

Havana, 25 fev (EFE).- O corpo do preso político cubano Orlando Zapata Tamayo foi enterrado hoje no leste do país em meio a um grande esquema de segurança, enquanto a imprensa da ilha, toda oficial, continua sem mencionar o caso, inclusive omitindo o presidente do país, Raúl Castro, disse a respeito.

Fontes da oposição cubana relataram à Agência Efe que o enterro ocorreu ao amanhecer em Banes, cidade natal de Zapata, "sob um verdadeiro estado de sítio" existente desde terça-feira, quando o dissidente morreu em um hospital de Havana.

O preso político faleceu depois de uma greve de fome de 85 dias para exigir um tratamento digno de "prisioneiro de consciência", status dado pela Anistia Internacional (AI).

Não se sabem mais detalhes do que aconteceu após o sepultamento em Banes, a quase mil quilômetros ao leste de Havana.

Segundo o porta-voz da Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), Elizardo Sánchez, Banes e seus arredores estão "ocupados" por policiais e agentes de segurança do Estado.

"Era como um povoado tomado pelo Exército japonês nas Filipinas", com todas as entradas de Banes e os locais públicos muito controlados, relatou.

Desde quarta-feira, a oposição cubana denuncia as fortes medidas de segurança em Banes e em outras cidades do leste da ilha, e particularmente ao redor da casa de Zapata, pedreiro de 37 anos preso em 2003.

Segundo a CCDHRN, pelo menos 50 dissidentes foram detidos nos últimos dias ou forçados a ficar em suas casas para evitar sua presença ao velório e ao enterro.

A oposição e a família de Zapata acusam o Governo cubano de "assassinato" e de ter retido o cadáver do preso político até depois do meio-dia de quarta-feira, e também de exigir de sua mãe, Reina Tamayo, que o sepultasse no mesmo dia.

Segundo Sánchez, a família se sentiu insultada e pediu para poder velar o cadáver. Após consultar Havana, os agentes de segurança aceitaram atrasar o enterro.

Enquanto isso, a imprensa oficial cubana continua sem informar da morte de Zapata e oculta inclusive a declaração de Raúl Castro sobre o assunto dada na quarta-feira quando se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Castro afirmou lamentar o falecimento de Zapata, mas a atribuiu ao confronto de meio século com os Estados Unidos e disse que em Cuba não se tortura, exceto na prisão da base naval americana de Guantánamo.

"Não houve torturados, não houve execução. Isso acontece na base naval de Guantánamo", disse o presidente cubano.

O assunto não mereceu a atenção dos dois jornais cubanos de circulação nacional, "Granma" e "Juventud Rebelde", nem de outros veículos estatais.

O Ministério das Relações Exteriores, por outro lado, enviou aos correspondentes estrangeiros credenciados em Havana um comunicado com as palavras do chefe de Estado.

Os dois jornais dedicam suas capas de hoje e as páginas interiores às de Lula com Raúl Castro e seu irmão mais velho e antecessor, Fidel Castro, primeiro-secretário do Partido Comunista, com profusão de fotos e títulos como "fraternal encontro" e "frutífera troca".

Lula disse lamentar "profundamente" a morte de Tamayo, em declarações a jornalistas que o acompanham em sua viagem por México, Cuba, Haiti e El Salvador.

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