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26/02/2010 - 14h48

Strauss-Kahn sugere que FMI crie moeda que substitua dólar como reserva

Washington, 26 fev (EFE).- O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, propôs hoje que a entidade crie linhas de troca de divisas similares às do Federal Reserve (Fed, banco central americano) e inclusive uma moeda própria que poderia um dia substituir o dólar como divisa de reserva.

Essas idéias foram apresentadas pelo chefe do organismo como uma forma de "reforçar o papel do Fundo como guarda da estabilidade do sistema" econômico, o que requer "um esclarecimento e atualização de nossa missão", disse.

Strauss-Kahn colocou sua visão de futuro para o FMI em discurso na Conferência Anual de Bretton Woods, batizada com o nome da pequena localidade americana onde foi fundado esse organismo em 1944.

A proposta, em certa medida, devolveria o FMI as suas origens, ao movimentar seu enfoque em direção à preservação da estabilidade do sistema financeiro mundial, ao invés da preocupação atual com a política econômica de cada país.

Para isso, a gerência do organismo propôs o estabelecimento de "Linhas de Crédito Multipaís".

A iniciativa funcionaria como os acordos de troca de moeda ("swap lines") estendidos pelo Fed durante o pior da crise ao México, Brasil, Coreia do Sul e Cingapura.

Em momentos de forte ressaca no sistema financeiro, o Fundo, que tem mais de US$ 850 bilhões, simplesmente anunciaria de forma unilateral a abertura dessa linha para certos países com boas políticas econômicas.

Isso evitaria o "estigma" de bater à porta do FMI para pedir ajuda, explicou um alto funcionário da entidade.

Os investidores e os próprios Governos veem o organismo como a fonte de financiamento de último recurso, quando todas as outras se esgotaram.

Em seu discurso, Strauss-Kahn também abordou a questão sobre a necessidade de uma nova divisa no mundo para substituir o dólar como ativo preferido dos bancos centrais.

O ex-ministro francês afirmou que ter várias moedas de reserva reduziria a dependência atual do planeta "das políticas e a situação de um país único, embora dominante", ou seja, os Estados Unidos.

Strauss-Kahn disse que um dia o FMI poderia emitir uma divisa de reserva, ao estilo de seus atuais direitos especiais de giro, que é uma moeda virtual baseada em uma cesta composta pelo dólar, o euro, o iene e a libra esterlina.

"Esse dia ainda não chegou, mas acho que é saudável explorar este tipo de ideia agora", afirmou.

Mais factível a curto prazo é uma ampliação dos trabalhos de vigilância do Fundo, até agora restritos a análise em profundidade da situação econômica de países.

A crise financeira demonstrou a periculosidade dos vínculos bancários entre países na hora de transmitir os problemas e o FMI quer ser capaz de estudar assuntos transnacionais, como os preços das matérias-primas, segundo o alto funcionário.

Essa fonte explicou que as ideias apresentadas hoje por Strauss-Kahn e o relatório serão desenvolvidas em estudos mais detalhados e a gerência apresentará na assembleia anual da entidade em outubro uma proposta concreta para redefinir a missão do Fundo no mundo.

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