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26/02/2010 - 13h51

Talibãs matam 17 pessoas em um novo ataque no centro de Cabul

Naweed Haidary.

Cabul, 26 fev (EFE).- Os talibãs afegãos voltaram a demonstrar hoje que contam com capacidade para atacar Cabul, com um duplo ataque suicida e um tiroteio que causaram a morte de 17 pessoas, a maioria delas estrangeiras, deixando 30 feridas.

As vítimas estrangeiras são nove indianos (vários deles, funcionários), um diplomata italiano e um francês que se encontrava de passagem por Cabul, segundo informaram os respectivos Governos.

O cidadão francês era o cineasta Séverin Blanchet, de 66 anos, colaborador há vários anos de um programa de formação de jovens produtores afegãos.

O ataque foi perpetrado por um comando insurgente equipado com armas e coletes explosivos, segundo um porta-voz insurgente citado pela agência afegã "AIP", e começou às 6h30 locais nesta sexta-feira (23h de quinta em Brasília), na praça Ansari, onde há vários hotéis.

Dois dos agressores detonaram as bombas que carregavam, um em frente ao hotel Park Residence e outro perante uma casa de hóspedes que, segundo esclareceu um funcionário indiano ao portal afegão "Quqnoos", era arrendada pela embaixada da Índia para alojar visitantes desse país.

"Estava dormindo, aconteceu uma explosão e o teto do meu quarto caiu", relatou ao "Quqnoos" um médico indiano que ficou ferido no atentado.

Os terroristas, segundo disse à Agência Efe o chefe do departamento de Investigação Policial de Cabul, Abdul Ghafar Sayedzada, conseguiram entrar tanto no hotel como no vizinho centro comercial Cabul City Center, até que foram finalmente abatidos pela Polícia.

Cinco insurgentes - dois deles suicidas - morreram durante a ação, disse a fonte, detalhando que 33 pessoas ficaram feridas e que entre as vítimas fatais há três policiais afegãos.

O porta-voz insurgente Zabiulah Mujahid declarou: "Demonstramos que com ajuda do todo-poderoso Alá podemos realizar ataques em qualquer lugar e situação. Os talibãs farão mais ataques assim no futuro".

O atentado foi condenado pelo presidente afegão, Hamid Karzai, que emitiu um comunicado no qual o atribuiu a "inimigos do Islã e do povo afegão, que queimarão no fogo do inferno", e ordenou a abertura de uma investigação.

Esta foi a segunda grande ação terrorista perpetrada pelos talibãs desde o começo de 2010 em Cabul, uma cidade que nos últimos dois anos foi cenário de frequentes atentados suicidas e ataques com projéteis contra prédios importantes.

No dia 18 de janeiro, 12 pessoas morreram no transcurso de uma ação de comandos talibãs contra um centro comercial e vários edifícios oficiais adjacentes, no mesmo dia em que os membros do novo Governo afegão faziam juramento a seus cargos.

E também não é a primeira vez que atacam alojamentos de hotéis: em outubro de 2009, outro grupo de insurgentes matou cinco funcionários da ONU em um ataque contra duas casas de hóspedes, que levou a organização a evacuar boa parte de seu pessoal no Afeganistão.

Hoje, os insurgentes escolheram um enclave comercial onde ficam várias casas de hóspedes populares entre os visitantes estrangeiros e muito protegido, em uma cidade que conta em geral com uma presença em massa das forças de segurança e seguranças particulares.

Não está claro qual era o objetivo principal dos talibãs nesta ocasião, mas a embaixada indiana no país já tinha sofrido dois atentados nos últimos anos.

Em comunicado de condenação, o Ministério de Exteriores indiano lembrou esses ataques e assumiu que o de hoje é o "terceiro contra funcionários e interesses" da Índia no Afeganistão, e "obra daqueles que estão desesperados por minar a amizade entre os dois países".

O Park Residence já tinha sido alvo em 2005 de um atentado suicida contra seu cibercafé, que levou os proprietários a reforçar as medidas de segurança.

Karzai aproveitou no dia 28 de janeiro a Conferência de Londres para reafirmar seu propósito de chegar a uma reconciliação nacional com os talibãs para abandonarem a violência e abraçarem a Constituição do país.

"A reconciliação de Karzai quer dizer rendição; no entanto, os talibãs mostraram que nunca se renderão a Karzai e aos estrangeiros, mas continuarão com a jihad enquanto as forças estrangeiras estiverem presentes no Afeganistão", advertiu Mujahid.

Embora no Afeganistão ainda não tenha começado a campanha militar de verão - normalmente, o período mais sangrento do ano -, as tropas afegãs e internacionais lançaram no dia 13 de fevereiro uma nova ofensiva contra a insurgência na conflituosa província de Helmand (sul).

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