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26/02/2010 - 16h11

Turquia faz novas prisões de militares durante investigações de golpe

Andrés Mourenza Istambul, 26 fev (EFE).- A prisão de militares turcos continuaram hoje com 18 novas detenções, que já elevam para 67 o número de presos das Forças Armadas na operação contra o subversivo Plano Balyoz, cujo objetivo era derrubar o Governo do moderado Recep Tayyip Erdogan em 2003.

"Aqueles que conspiram contra a nação devem enfrentar agora a Justiça", afirmou Erdogan em um encontro com líderes provinciais de seu grupo político, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).

Segundo a emissora "NTV", os 18 militares - 17 deles na ativa - foram detidos em uma operação policial em 13 cidades diferentes.

Entre os detidos, está um chefe provincial da Gendarmaria, um corpo policial vinculado ao Exército.

Todos eles foram levados a Istambul para estarem à disposição da Justiça no Tribunal Penal do distrito de Besiktas, que conduz a investigação sobre o caso Balyoz.

Com esse complô, os militares supostamente pretendiam atentar contra duas mesquitas em Istambul, derrubar um avião militar turco no Mar Egeu para forçar um confronto com a Grécia e prender intelectuais críticos ao Exército para forçar a imposição da lei marcial.

Os militares detidos hoje são acusados de terem articulado, dentro do Plano Balyoz, as operações Çarsaf (Chador, véu islâmico) e Sakal (Barba), cuja missão era colocar bombas nas mesquitas de Fatih e Beyazit durante uma sexta-feira ao final das orações.

Na segunda-feira passada, enquanto Erdogan estava em visita à Espanha, foram detidos 49 oficiais do Exército, entre eles 17 generais reformados e quatro almirantes na ativa.

Até agora, desses oficiais, 31 foram detidos em prisão provisória.

Nessa sexta-feira, terminou o interrogatório judicial do ex-comandante do primeiro Exército Çetin Dogan e o ex-comandante das Forças Especiais Engin Alan. No entanto, eles ainda estão pendentes de decisão judicial sobre irem ou não para a prisão.

O ex-comandante da Força Aérea da Turquia, general Ibrahim Firtina e o ex-comandante da Marinha, o almirante Özden Örnek, que supostamente eram os principais articuladores do suposto golpe, foram liberados ontem à noite.

A Procuradoria de Istambul disse que esses dois principais suspeitos foram postos em liberdade porque não havia possibilidade de mudar as provas nem de fugir.

Essa onda de detenções despertou a tensão entre o Exército, autoproclamado defensor do laicismo oficial e da integridade territorial do país, e o Governo islamita moderado do AKP.

Em mensagem semanal à televisão, o primeiro-ministro Erdogan afirmou que os problemas do país serão resolvidos "com bom senso" e no "marco legal". Por isso, pediu "tranquilidade" à população.

Os mercados turcos enfrentaram fortes turbulências durante a semana. Embora o principal índice da bolsa, o IMKB-100, tenha fechado hoje em ligeira alta, a Bolsa de Istambul acumulou perdas de 9% em fevereiro.

Durante a reunião com seu partido, Erdogan foi muito crítico com os colunistas e com a imprensa turca. Ele os acusou de ter provocado as oscilações das bolsas de valores com seus artigos sobre a tensão entre o Governo e os militares.

"Todo mundo deve saber seus limites. Os colunistas têm direito de me criticar. Mas me vejo obrigado a avisá-los: todo mundo deve saber qual é seu papel e seu lugar. Eles não têm direito de provocar tensão neste país", afirmou.

O primeiro-ministro também pediu aos editores para que controlem seus articulistas e para que estes "recebam seus salários".

Por outro lado, Erdogan avisou que não haverá eleições antecipadas como exigem os partidos da oposição e que elas serão realizadas normalmente em 2011.

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