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27/02/2010 - 20h23

Nova tragédia volta a testar capacidade de superação dos chilenos

Santiago do Chile, 27 fev (EFE).- Desafiados mais uma vez por uma tragédia natural, os chilenos, liderados pela presidente Michelle Bachelet, testam sua capacidade de superação e tentam minimizar os danos causados por um terremoto que matou ao menos 214 pessoas.

Segundo o último relatório oficial sobre o terremoto desta madrugada, há ainda 15 desaparecidos e o número de mortos deve crescer.

A diretora do Escritório Nacional de Emergência (Onemi), Carmen Fernández, advertiu que o número de vítimas "pode aumentar" na medida em que as autoridades consigam chegar a locais até agora inacessíveis.

O terremoto aconteceu hoje às 3h36 (na hora local e em Brasília) com epicentro na região de Bío-Bío, a 500 quilômetros de Santiago e a 90 quilômetros da capital regional, Concepción.

O sismo chegou a ser sentido em alguns bairros de São Paulo e teve 8,8 graus de magnitude na escala Richter, segundo o Instituto Geológico dos Estados Unidos (USGS, em inglês) Só em Bío-Bío, uma das zonas mais castigadas pelo terremoto, que atingiu no total oito regiões do país em uma extensão de mil quilômetros de território, as pessoas de alguma forma prejudicadas pela catástrofe podem se aproximar de 400 mil.

Bachelet viajou às regiões mais atingidas, ordenou medidas de ajuda, chamou os chilenos a manter a calma e agradeceu as mensagens solidárias recebidas de todo o mundo.

Já o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, que assumirá a Presidência em 11 de março, anunciou que destinará 2% do orçamento público para reconstrução.

"Comprometo a total ajuda e o compromisso da equipe do futuro Governo com a presidente Bachelet", disse Piñera, enquanto pediu às atuais autoridades de emergência que sigam colaborando depois da transferência de poder.

"Este terremoto significa um duro golpe para a sociedade chilena; é o maior que enfrentamos nos últimos 30 anos e enfrentá-lo vai demandar um esforço", declarou Piñera em Santiago, pouco antes de viajar para as regiões mais prejudicadas.

Desde o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, até os de Venezuela, Hugo Chávez; Argentina, Cristina Kichner; Bolívia, Evo Morales; Peru, Alan García; e Equador, Rafael Correa, assim como Governos de todas as partes do planeta, se manifestaram sobre a tragédia.

O ministro das Relações Exteriores do Chile, Mariano Fernández, agradeceu pela ajuda oferecida por vários países, mas explicou que não serão necessárias até que se tenha real dimensão do prejuízo.

As embaixadas dos países-membros da União Europeia (UE) emitiram um comunicado oficial conjunto no qual expressaram sua consternação pelo terremoto.

Após conhecer a magnitude da tragédia, a Comissão Europeia (órgão executivo da UE) anunciou um pacote de ajuda de 3 milhões de euros (R$ 7,4 milhões), além de contribuições individuais de alguns países.

O Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ofereceram também sua ajuda ao Chile.

"O Banco Mundial se encontra pronto para apoiar o Governo do Chile na forma que este considerar adequada", assinalou em comunicado o presidente do organismo, Robert Zoellick.

As cidades de Viña del Mar e Valparaíso, no litoral oeste do Chile, permanecem hoje com as ruas vazias e os comércios fechados, enquanto os moradores avaliam a destruição.

Os serviços de limpeza trabalham de forma intensa para retirar os escombros que restam sobre as calçadas, onde se amontoam vidros e pedaços de parede desprendidos das fachadas dos prédios, em sua maioria baixos.

"Agora estamos recolhendo tudo o que caiu das paredes. (...) Há muitos carros com pedaços de muros. Foi muito grave o que aconteceu", contou à Agência Efe Juan Muñoz, que trabalha na limpeza.

As prateleiras vazias das lojas e os vidros quebrados das vitrines eram o traço mais visível da violência com que o terremoto atingiu a cidade de Viña del Mar, a 125 quilômetros de Santiago.

Especialistas consideram o terremoto de hoje 50 vezes mais potente que o que devastou Haiti em 12 de janeiro e também superior ao que há 25 anos deixou 177 mortos na região central do Chile.

Segundo a escala internacional de Mercalli, que vai de 1 a 12, o sismo de hoje teve intensidades de até de 9 graus, como aconteceu nas regiões de Bío-Bío e La Araucanía.

A ministra da Educação, Mónica Jiménez, anunciou que nas regiões atingidas o início das aulas foi adiado de 3 para 8 de março.

Já o ministro de Obras Públicas, Sergio Bitar, disse que as estradas que conectam Santiago com o norte são transitáveis com precaução, e que para o sul não há inconvenientes até Curicó, a 200 quilômetros da capital.

A rota que une o Chile à cidade argentina de Mendoza está funcionando, também com precauções, e a passagem fronteiriça Los Libertadores está aberta, como explicou Bitar, que confirmou que o aeroporto internacional de Santiago permanecerá fechado por pelo menos três dias.

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