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01/03/2010 - 15h17

Carismático e controvertido, Mujica assume Presidência do Uruguai

Raúl Cortés.

Montevidéu, 1 mar (EFE).- O novo presidente do Uruguai, José Mujica, que assumiu o poder hoje, é um político tão carismático como controvertido.

Florista na juventude, guerrilheiro quando adulto e presidente aos 74 anos, Mujica é um homem do povo, que vive em uma fazenda, dirige um carro velho e recusa a gravata. Agora, vive um novo desafio em uma vida que poucas vezes foi calma.

Nascido em 20 de maio de 1935 em Montevidéu, Mujica perdeu seu pai muito cedo. Por isso, logo teve que ajudar sua mãe a cultivar flores e hortaliças. O novo presidente uruguaio o faz até hoje em seu sítio nos arredores da capital, mas agora tem a companhia de sua esposa, Lucía Topolansky, senadora e ex-companheira de luta guerrilheira.

A cada dia, Mujica entrega aos seus seguranças uma lista de pessoas que podem entrar e sair de seu sítio, basicamente seus vizinhos e amigos.

Influenciado pelas histórias do exílio republicano espanhol, Mujica foi anarquista em sua juventude. Não chegou a terminar os estudos preparatórios de Direito e se dedicou a vender flores no mercado de Rincón del Cerro, o bairro operário onde nasceu e onde fica sua chácara.

Embora tenha começado sua vida política no conservador Partido Nacional, Mujica se radicalizou e se juntou ao Movimiento de Libertação Nacional-Tupamaros, uma guerrilha urbana que cometeu assaltos, assassinatos e sequestros antes e durante a ditadura militar uruguaia (1973-1985).

Suas atividades com esse grupo, que segundo algumas versões incluíram homicídios, lhe custaram várias passagens pela prisão.

A primeira foi em 1964, quando foi detido durante um assalto a uma empresa com outros membros do movimento. Mujica se identificou como um criminoso comum para não delatar seus companheiros e ficou oito meses detido.

Em 1970, foi delatado em um local público e chegou a ser baleado durante sua detenção. Mujica foi levado à prisão de Punta Carretas, hoje transformada em um centro comercial. Escapou de lá no ano seguinte em uma fuga cinematográfica, usando um túnel que serviu para a fuga de quase 100 presos, quase todos guerrilheiros.

Em 1972, após outra breve estada na prisão e outra fuga, Mujica começa sua experiência mais dura e prolongada atrás das grades, coincidindo com os anos de ditadura e, com ela, as torturas contra ele e seus companheiros.

Em 1985, com o restabelecimento da democracia no Uruguai, Mujica é beneficiado pela anistia concedida aos guerrilheiros e surpreende a todos com uma mensagem de conciliação.

O jornalista uruguaio Sergio Israel, autor da última biografia publicada do governante, diz que Mujica se dedicou "a filosofar sobre sua vida" durante os anos em que esteve preso em "situação tão extrema", o que o levou a tal mudança de postura.

Em 1989, Mujica funda o Movimento de Participação Popular, um partido que se junta ao bloco esquerdista Frente Ampla. Com isso, se torna deputado, senador e ministro da Agricultura de seu antecessor na Presidência, o socialista Tabaré Vázquez.

Na opinião do analista político Adolfo Garcé, o político Mujica é "controvertido, chamativo e chocante", não muito distante "da expressão mais antiga da política uruguaia, o caudilhismo".

Entretanto, Garcé acrescenta que Mujica é "um homem muito comprometido com o serviço público, com os pobres, é inteligente, honesto, bem-intencionado, de pensamento veloz e diálogo ágil. Aprendeu muito com seus próprios erros e desconfia muito do mundo acadêmico".

Alguns colecionadores de carros disputariam a tapa o pequeno Volkswagen que Mujica ainda dirige. Quando foi deputado, era frequente vê-lo chegar ao Palácio Legislativo a bordo de uma pequena motocicleta, em algumas ocasiões acompanhado de sua mulher.

Apesar de não ter sido o nome favorito de Vázquez, Mujica disputou as eleições internas da Frente Ampla em 2008 e derrotou no ano seguinte o ex-ministro da Economia Danilo Astori, agora seu vice-presidente e titular do Senado e da Assembleia Geral.

Como ainda não assumiu o cargo, Astori não fez hoje o juramento de Mujica na Presidência, tarefa que coube à esposa do novo governante por ser a senadora mais votada.

Mujica e Topolansky, que não têm filhos, se casaram em 2005 após um grave problema de saúde que levou o presidente recém empossado a passar 20 dias no hospital.

Diante das especulações sobre sua saúde, um irônico Mujica disse em dezembro passado esperar "que Papai Noel me dê saúde para aguentar esses cinco anos".

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