UOL Notícias Notícias
 

01/03/2010 - 16h27

Desabrigados por terremoto no Chile começam a receber ajuda

Concepción/Santiago do Chile, 1 mar (EFE).- As autoridades chilenas socorriam hoje centenas de milhares de desabrigados que carecem de água, luz e alimentos após o terremoto de sábado, ao mesmo tempo em que combatiam o vandalismo surgido em algumas cidades afetadas pelo tremor.

Segundo os números mais recentes, o terremoto de 8,8 graus na escala Richter deixou 723 mortos e dois milhões de desabrigados, que começam a ser atendidos com base nas medidas anunciadas neste domingo pela presidente chilena, Michelle Bachelet.

Nesta segunda-feira, começou o envio para o sul do Chile de porções de alimentos que serão distribuídas nas cidades afetadas pelo sismo.

Além disso, há a tentativa de normalizar a conexão viária entre Santiago e o sul do país. O aeroporto da capital será reaberto ainda hoje para voos nacionais e, segundo o Ministério de Obras Públicas, as decolagens para o exterior podem ser retomadas na próxima sexta-feira.

Por outro lado, aumentam as chegadas de voos do exterior, já que as pistas e sistemas de controle não foram danificados pelo terremoto.

Além disso, o ministro da Fazenda chileno, Andrés Velasco, anunciou o adiamento ou suspensão de pagamentos de impostos nas regiões afetadas pelo sismo.

No setor de mineração, a estatal Corporación del Cobre (Codelco) e a britânica Anglo American reabriram suas minas de cobre situadas na área afetada pelo terermoto e que representam, em conjunto, uma produção de quase um milhão de toneladas anuais desse metal.

Apesar do toque de recolher decretado na província de Concepción, os habitantes de cidades como Chiguayante, San Pedro de La Paz, Hualqui e Lota, assim como os de Coronel, na província de Arauco, viveram uma noite de terror sob a ameaça de saques.

Em Chiguayante, um homem identificado como Romeo Alexis González Martínez morreu baleado em um aparente confronto entre saqueadores e moradores. Entretanto, segundo a Polícia, a briga não teria relação com a situação de emergência.

As autoridades da região de Bío-Bío disseram que o toque de recolher entrará em vigor novamente entre as 21h de hoje e 6h de terça-feira (horários de Brasília), desta vez com um maior contingente militar e policial nas ruas.

Os habitantes das cidades vizinhas a Concepción reclamaram de que, apesar do vandalismo, a presença militar ou policial foi nula no primeiro dia de toque de recolher.

A prefeita de Concepción, Jacqueline Van Rysselberghe, considerou "insuficientes" os 1.500 soldados enviados à cidade.

"O panorama é bem melhor do que ontem. Ontem, tínhamos uma cidade em caos, sem controle. Isso diminuiu consideravelmente, mas não desapareceu", apontou Van Rysselberghe.

O subsecretário do Interior chileno, Patricio Rosende, informou que 55 pessoas foram detidas por violar o toque de recolher e outras 105 por saques, mas disse que o dia foi "tranquilo", com alguns "focos menores" de distúrbios.

"Ouvimos tiros durante toda a noite, tivemos que fazer fogueiras e vigiar nossas coisas", disse uma moradora de Chiguayante a jornalistas.

Também houve saques em Santiago, Talca e Constituición, segundo chilenos que, especialmente no interior, continuam sem água e eletricidade e com o serviço telefônico com frequentes interrupções.

Segundo o general de Carabineiros Rodrigo Ortega, em Santiago houve 16 ataques a supermercados, dos quais 11 foram frustrados por policiais.

"Nos restantes, houve pequenos roubos e em todos eles houve detidos", explicou o oficial à rádio "Cooperativa".

Na localidade de Independencia, em Santiago, os moradores da vila Las Rosas passaram a noite em claro defendendo suas residências de tentativas de saque.

Também hoje, o Chile começou a receber ajuda internacional, com a chegada de 50 médicos e três hospitais de campanha enviados pela Argentina.

Em Genebra, o Chile pediu oficialmente às Nações Unidas o envio de equipes de avaliação de danos.

O embaixador chileno na ONU em Genebra, Carlos Portales, disse que o país precisa principalmente de pontes móveis, telefones via satélite, geradores elétricos, hospitais de campanha, equipamentos cirúrgicos e centros de diálise.

A União Europeia (UE) anunciou o envio de assistência médica e técnica. Já o Governo da Bolívia disse que mandará nos próximos dias água, alimentos e remédios, enquanto o Executivo peruano informou que está pronto para enviar ao Chile ajuda de emergência e uma brigada de resgate.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,45
    3,141
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,39
    64.684,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host