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01/03/2010 - 22h14

EUA suspendem Venezuela e Bolívia por não colaborarem no combate às drogas

Washington, 1 mar (EFE).- Os Estados Unidos voltaram hoje a suspender a Bolívia e a Venezuela no combate às drogas, ao considerar que sua cooperação foi novamente insuficiente em 2009, enquanto destacou os progressos "significativos" da Colômbia e anunciou mais ajudas para o México.

O departamento de Estado enviou hoje ao Congresso seu relatório anual sobre a luta global contra o narcotráfico e a lavagem de dinheiro, que servirá para determinar, em setembro, possíveis sanções aos países que, segundo Washington, não fazem o suficiente para colaborar nessa área, e que no ano passado incluía Bolívia e Venezuela.

Washington considerou que Caracas "não coopera de maneira constante com os EUA e outros países para reduzir o tráfico de cocaína que passa por seu território". Além disso, também julgou que a colaboração com La Paz continua sendo um "desafio".

O relatório lembrou que grupos armados ilegais na Colômbia, entre eles as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), estão vinculados a organizações narcotraficantes que distribuem sua mercadoria através da Venezuela.

Esses grupos teriam estabelecido na Venezuela seus meios e recursos "para facilitar as atividades de tráfico, para descansar, e para escapar das forças de segurança colombianas", assinalou.

Os EUA asseguraram que há "fortes evidências" de que "alguns elementos" das forças de segurança venezuelanas "prestam socorro direto" a esses grupos terroristas.

Desde que a Venezuela suspendeu em 2005 a cooperação antidrogas com os EUA, a colaboração entre os dois países nessa área se limitou à troca de informações, a coordenação de deportações e a intercepção marítima.

De acordo com os dados disponibilizados pela Venezuela, foram confiscadas no ano passado 60,2 toneladas de drogas ilegais nesse país, diante das 40 toneladas do ano anterior. No entanto, esse número está muito longe das 152 toneladas confiscadas em 2005, assinalaram os Estados Unidos.

Os EUA reconheceram que a Venezuela fez esforços para lutar contra a lavagem de dinheiro e que o país instalou sistemas de radares. No entanto, Washington criticou que a estratégia venezuelana contra as drogas, que começaria em 2008, foi adiada e ainda não foi publicada.

Um ambiente "permissivo e corrupto" transformou a Venezuela "em uma das rotas preferidas para o tráfico de drogas ilícitas da América do Sul", sentenciou o relatório.

Os Estados Unidos lembraram que a falta de cooperação da Venezuela é um reflexo das "gélidas" relações bilaterais entre os dois países.

Também no caso da Bolívia, os EUA estão dispostos a aprofundar a cooperação bilateral, dado que no ano passado o país sul-americano tomou menos medidas para impedir a produção e o tráfico de drogas, segundo o relatório.

De fato, o potencial de produção de cocaína aumentou 50% desde 2005 na Bolívia. O Governo do presidente Evo Morales permite um maior cultivo da folha de coca, tradicionalmente usada pelos indígenas para mascar.

Além disso, os EUA se mostraram "preocupados com a eficácia das políticas e ações antinarcóticos" do Governo Morales, devido ao aumento dos níveis de produção da droga, à presença de narcotraficantes mexicanos e colombianos em território boliviano e a possíveis conflitos entre os cultivadores e o Governo.

Mas nem tudo foi objeto de crítica por parte dos Estados Unidos.

No caso da Colômbia, Washington louvou os progressos "significativos" na luta antidrogas no ano passado e destacou que o país deve fazer mais para combater o surgimento de novos cartéis e "nacionalizar" vários programas antinarcóticos.

Segundo o relatório, a Colômbia continuou em 2009 uma agressiva campanha de apreensão e erradicação de drogas, além de manter um forte recorde de extradição de pessoas acusadas de narcotráfico aos Estados Unidos.

Em relação ao México, os EUA indicaram que enviarão mais ajuda nos próximos anos ao país vizinho para contribuir com a desmilitarização do combate ao narcotráfico. Além disso, o Governo americano se comprometeu a combater o consumo de drogas no México.

Segundo o relatório, a ajuda americana servirá para preparar a Polícia civil mexicana a assumir tarefas de segurança e o desmantelamento dos cartéis da droga, desempenhadas agora pelos militares.

O Governo de Washington disse que quando os militares mexicanos retornarem às "tarefas tradicionais", haverá um aumento nas atividades para a erradicação de cultivos de maconha e ópio.

Já na América Central, o relatório observou que o golpe de Estado em Honduras prejudicou gravemente a luta contra o narcotráfico nesse país. Quanto ao Panamá, o relatório advertiu sobre os perigos representados pelas organizações criminosas para a democracia do país.

O Brasil, maior consumidor de cocaína do mundo depois dos Estados Unidos, passou a ser em 2009 um importante canal para o transporte de drogas rumo a Europa e África, revelou o relatório. Seguno o texto, a cada ano passam pelo território brasileiro, por ar, terra e rios, toneladas de drogas.

O Departamento de Estado americano aponta que as quadrilhas brasileiras usam os lucros da venda de drogas para comprar armas e aumentar seu controle sobre as favelas de São Paulo, Rio de Janeiro e outros centros urbanos.

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