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01/03/2010 - 16h45

Tensão sobre programa nuclear iraniano volta a aumentar

Jordi Kuhs.

Viena, 1 mar (EFE).- A tensão na disputa sobre o polêmico programa nuclear do Irã voltou a crescer hoje, depois de o novo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, advertir abertamente que não pode ratificar a natureza pacífica das atividades atômicas da República Islâmica.

"Não podemos confirmar que todo o material nuclear no Irã esteja destinado a atividades pacíficas, porque o Irã não ofereceu a cooperação necessária", manifestou Amano em Viena em seu discurso de abertura de uma reunião do Conselho de Governadores da AIEA.

O diplomata japonês assumiu o cargo em dezembro do ano passado, em substituição ao prêmio Nobel da Paz 2005, o egípcio Mohamed ElBaradei.

A avaliação crítica expressada hoje por Amano - que parece ser mais direto e preciso em suas críticas a Teerã que seu antecessor - se baseia no último relatório do organismo sobre as inspeções no Irã.

O documento, criticado como pouco "equilibrado" pelo Irã e o grupo de países em desenvolvimento (G77), expressa a crescente preocupação dos inspetores internacionais de que a República Islâmica esteja trabalhando em aspectos militares de seu programa nuclear.

Em entrevista coletiva à margem da reunião do Conselho de Governadores, Amano disse que a informação recebida de vários países ocidentais sobre possíveis dimensões militares do programa nuclear iraniano é "consistente".

"A informação é consistente quanto aos detalhes, os períodos, as pessoas e as organizações envolvidas. Por isso, ao analisá-la em seu conjunto, causa preocupação", assegurou.

No entanto, o novo diretor-geral do organismo enfatizou que seus inspetores "não dizem que o Irã tem um programa nuclear militar".

Segundo Amano, a "cooperação necessária" deveria incluir a aplicação das resoluções "relevantes" da Junta e do Conselho de Segurança da ONU, que pedem ao Irã, sobretudo, que suspenda seu programa de enriquecimento de urânio.

Em vez de suspender essas atividades, o Irã intensificou seus trabalhos de enriquecimento e alcançou uma pureza de 19,8% de seu urânio enriquecido.

Desta forma, os técnicos iranianos deram um passo decisivo para dominar a produção de urânio altamente enriquecido, necessário para construir bombas atômicas.

Em visita a Genebra, o ministro de Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, disse que a AIEA criou "uma nova terminologia" para o caso iraniano, como a de "temos dúvidas sobre suas intenções", e criticou o organismo da ONU porque, em sua opinião, está se excedendo em suas exigências e competências.

Amano rejeitou as acusações do Irã e disse que sua intenção é dar um informação "exaustiva e completa".

Os Estados Unidos e os países da União Europeia (UE) asseguram há anos que o programa nuclear do Irã poderia conter atividades clandestinas destinadas a fins militares, o que a República Islâmica rejeita.

Israel, que se sente ameaçado pelo Irã, continua sem descartar um ataque contra as instalações nucleares da República Islâmica, enquanto os líderes iranianos não deixam de ameaçar abertamente com a destruição do Estado judeu.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas emitiu desde 2006 três rodadas de sanções contra o Irã, sem ter até agora o efeito desejado de uma ampliada cooperação iraniana com a comunidade internacional sobre seu programa nuclear.

A Junta da AIEA iniciou hoje suas deliberações sobre diferentes assuntos da agência e espera-se que o dossiê iraniano seja debatido até a próxima quarta-feira.

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