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01/03/2010 - 18h11

Venezuela considera "tendenciosa" e "inaceitável" acusação sobre ETA e Farc

Montevidéu, 1 mar (EFE).- O Governo da Venezuela qualificou hoje de "tendenciosa" e "inaceitável" a acusação de um juiz espanhol de que há indícios de "cooperação" entre o Executivo de Hugo Chávez na aliança entre o grupo armado basco ETA e as Forças Armadas Revolucionárias da Côlombia (Farc).

No auto do juiz espanhol Eloy Velasco da Audiência Nacional, "são feitas afirmações inaceitáveis, de natureza e motivação política sobre o Governo venezuelano", sustenta um comunicado ao qual teve acesso a Agência Efe em Montevidéu, onde Chávez assistiu à posse do presidente uruguaio, José Mujica.

Segundo a nota, no auto judicial "se faz referência a um cidadão que vive na Venezuela desde o mês de maio de 1989, como produto dos acordos alcançados por Carlos Andrés Pérez e Felipe González", os então respectivamente presidente venezuelano e chefe do Executivo espanhol.

Embora o comunicado não identifique a pessoa, trata-se aparentemente de Arturo Cubillas, um suposto membro da ETA. Junto aos membros das Farc Edgar Gustavo Navarro Morales e Víctor Ramón Vargas Salazar, Cubillas foi processado hoje pelo juiz Velasco.

Segundo as investigações, há evidências de que Cubillas tem ou teve algum cargo público no Governo venezuelano.

"Surpreende que em nenhum momento se mencione o nome dos autores deste acordo", acrescenta o texto da Chancelaria venezuelana.

O juiz espanhol, que hoje processou vários membros da ETA e das Farc por sua suposta colaboração para atentar na Espanha contra funcionários de alto escalão da Colômbia como o presidente Álvaro Uribe, assegura que há indícios da "cooperação" do Governo da Venezuela nessa aliança.

A nota oficial venezuelana critica que o juiz se refira "reiteradamente e de maneira desrespeitosa ao presidente dos venezuelanos, Hugo Chávez, fazendo afirmações tão tendenciosas como infundadas sobre o Governo bolivariano".

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, conversou hoje com o ministro de Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, sobre o auto do juiz que considera que há indícios da "cooperação" da Venezuela com uma suposta aliança estabelecida entre ETA e as Farc, disse à Agência Efe o embaixador venezuelano em Madri.

O embaixador da Venezuela na Espanha, Isaias Rodríguez, informou à Agência Efe que Maduro e Moratinos discutiram hoje este tema em uma conversa telefônica.

Fontes da Chancelaria venezuelana disseram à Agência Efe em Montevidéu que a conversa entre Moratinos e Maduro foi "cordial" e que concordaram em manter contato sobre esse assunto.

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