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02/03/2010 - 18h51

Ministros tomam posse no Uruguai afastados do passado guerrilheiro

Jorge Figueroa.

Montevidéu, 2 mar (EFE).- O presidente do Uruguai, José Mujica, acompanhou hoje a posse dos novos ministros de Defesa, Luis Rosadilla, e Interior, Eduardo Bonomi, marcada pela tentativa dos três de deixar de lado um pouco o passado guerrilheiro e se consolidar na cena política nacional.

"Não vamos viver da nostalgia e de páginas amarelas, todos os dias amanhece, a vida começa. Sempre estamos começando, a vida é vivida com coragem e para frente", afirmou Mujica, em discurso, após Rosadilla assumir o cargo.

Segundo o presidente, "cada um terá que carregar sua mochila, mas as mochilas não são o exercício de saldar contas quando é preciso construir".

"Por isso hoje isto é muito simbólico, extremamente simbólico", considerou Mujica, diante de chefes das Forças Armadas, líderes da oposição, legisladores, empresários e sindicalistas presentes na cerimônia.

O presidente admitiu se sentir emocionado na posse, especialmente pelo fato de o Ministério da Defesa "ter um significado especial" para ele.

Rosadilla, de 56 anos, da mesma forma que Mujica, de 74, foi guerrilheiro do Movimento de Libertação Nacional (MLN-Tupamaros). Ele ficou nove anos preso durante a ditadura militar (1973-1985).

"Venho de um processo longo, com muitos fanatismos, deixei todos os fanatismos e me tornei fanático de algo novo: o de transformar o Uruguai em um país vivível por todos", assegurou Rosadilla.

Após reconhecer que se especulou muito sobre o que poderia acontecer com sua chegada ao Ministério da Defesa, assegurou: "Aqui vem um uruguaio cuja única camisa é a do país, e a melhor forma de fazer justiça com a história é fazê-la a futuro".

O Uruguai "avança" para "um país diferente sem que ninguém abandone seus princípios nem cores", afirmou o novo ministro, em alusão à oposição, que contou no ato com figuras como o duas vezes presidente Julio María Sanguinetti (1985-1990 e 1995-2000), do Partido Colorado.

Rosadilla antecipou que convidará formalmente os grupos opositores para formar uma comissão de troca permanente e contribuição de ideias, "mas também para receber suas críticas".

Ao assumir o Ministério do Interior, Eduardo Bonomi, braço direito de Mujica, também falou das críticas, ligadas sobretudo a policiais e militares.

O novo ministro disse que não vai se fingir de "distraído" em relação aos questionamentos surgidos dentro da própria Polícia.

No entanto, reivindicou a leitura política surgida das eleições de outubro passado, que deram à coalizão de esquerda Frente Ampla o segundo mandato consecutivo.

"O povo não fez a reivindicação do passado, mas devemos olhar para frente e construir o futuro", enfatizou Bonomi, que também esteve preso e que é acusado por senadores opositores de participar de ações guerrilheiras que culminaram na morte de dois policiais.

Bonomi nunca negou sua participação e disse que é "responsável político por todos os fatos", em relação às atividades do MLN-Tupamaros durante o final dos anos 60 e começos dos 70 contra um Governo democrático, primeiramente, e contra um regime ditatorial, depois.

Hoje na Escola Nacional de Polícia, onde ocorreu a cerimônia, o novo ministro do Interior pediu aos agentes "compromisso com a função", enquanto ratificou o comprometimento de Mujica em melhorar os salários e as condições de habitação, saúde e educação.

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