UOL Notícias Notícias
 

02/03/2010 - 10h05

Para viver na China, médicos fazem exames obrigatórios em apenas 30 minutos

Eva Garrido.

Pequim, 2 mar (EFE).- Todo estrangeiro que precisa de visto de residência na China tem que realizar um exame médico de 11 testes que dura apenas 30 minutos no hospital especialmente designado para isso em Pequim, mas para o qual normalmente seriam necessárias várias horas.

O primeiro teste ao qual é submetido o estrangeiro é uma análise de sangue que determina se pode obter o visto de residência. O exame revelará se a pessoa é portadora de alguma doença sexualmente transmissível.

"Se o exame médico de um estrangeiro mostrar que ele é soropositivo ou tem alguma outra doença sexualmente transmissível não poderá residir na China", assegurou à Agência Efe um funcionário do Centro de Saúde Beijing International Travel, ao qual vão os estrangeiros e chineses oriundos de Hong Kong, Macau e Taiwan para serem examinados.

A China é um dos 70 países do mundo que nega a entrada aos estrangeiros soropositivos, mas em novembro passado as autoridades chinesas anunciaram que essa medida deve ser suspensa em 2010.

Durante 22 anos, até 4 de janeiro passado, os Estados Unidos também proibiam a residência de soropositivos. Um jovem professor americano disse à Agência Efe após terminar sua revisão médica que a o exame é fundamental antes de se permitir a residência.

"Assim se pode evitar a propagação", manifestou o americano.

Antes de começar a revisão, um funcionário da instituição pergunta ao estrangeiro se deseja responder a uma enquete anônima. Entre as 53 perguntas da pesquisa, estão algumas como "uma pessoa pode contrair HIV por comer junto a outro soropositivo?" ou "você utilizou preservativo em sua última relação sexual?".

Além da análise de sangue, o estrangeiro deve se submeter ao exame de olhos, ouvidos, boca, tensão, peso, altura, pescoço e cabeça, radiografia de costas, eletrocardiograma e ultra-sonografia abdominal.

A médica de família japonesa Set Suko, que trabalha em um dos hospitais estrangeiros da capital chinesa, o United Family, explicou à Agência Efe que "todos os exames demorariam várias horas em uma revisão ordinária porque o tempo mínimo de cada teste seria de 15 a 30 minutos".

Após a análise de sangue, o estrangeiro passa para o segundo exame médico sem saber em que vai consistir porque ninguém o explicou. Por isso, alguns vão acompanhados de seu próprio tradutor para facilitar a comunicação com os médicos, a maioria dos quais não fala inglês.

Um casal mexicano, acompanhado por uma jovem chinesa, disse à Agência Efe que o número de testes parecia "exagerado" e que o preço não parecia caro, 645,70 iuanes (US$ 94,57).

Quando o estrangeiro faz a radiografia, se surpreende ao perceber que continua com todas as roupas e acessórios, inclusive anéis, pulseiras e outros metais, pois ninguém pede para retirar.

"Para uma radiografia, é preciso tirar a roupa e colocar uma roupão", destacou Suko.

O mesmo ocorre com o eletrocardiograma, no qual o médico coloca os prendedores nos tornozelos em cima das meias. Na medição de altura e peso, o médico subtrai um quilo e um centímetro nas medidas da balança. Para medir a pressão arterial, coloca-se o aparelho sobre a manga da camisa.

A revisão também inclui uma ultra-sonografia abdominal. Por fim, se faz um exame de vista, de ouvido e de boca, mas os equipamentos utilizados nesses testes estão longe dos mais modernos.

No caso do teste dos ouvidos, em vez de usar um otoscópio, o médico utiliza um pequeno espelho.

A cada dia, passam assim rapidamente pelo Beijing International Travel de 70 a 80 pessoas, das 8h30 às 11h, informou à Agência Efe um de seus funcionários. Esse número aumentará a partir de março entre 200 e 300 devido a uma chegada em massa de estudantes para aprender mandarim.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host