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03/03/2010 - 17h50

Hillary diz que Irã só negociará depois de sanções

Brasília, 3 mar (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse hoje que o Irã não deu até agora provas de que deseja negociar um acordo sobre seu programa nuclear com a comunidade internacional e que isso só vai acontecer após a imposição de sanções sobre o país.

Hillary fez tal advertência em entrevista coletiva conjunta em Brasília com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na qual o Brasil reiterou a posição de que espera uma solução negociada para o conflito.

"Nossas portas sempre estiveram aberta às negociações, mas até agora não obtivemos resposta. Ninguém prefere as sanções, todos querem uma solução negociada, mas, até agora, não vimos um esforço sincero do Irã de querer andar na direção esperada pela comunidade internacional", afirmou a americana.

"Não vemos o Irã disposto a fazer isso. Por isso, queremos que a comunidade internacional lhe mande uma mensagem clara. Acho que, só após um anúncio de sanções, o Irã negociará com boa vontade", acrescentou.

Para a secretária de Estado, uma sanção mostraria que a comunidade internacional não aceita violações às resoluções contra a proliferação de armas nucleares e que, apesar da esperança do Brasil quanto a uma negociação, Teerã não fez esforços para querer dialogar.

"Estamos consultando os amigos brasileiros porque o Conselho (de Segurança da ONU) tem que tomar uma decisão. As portas estão abertas para uma negociação, mas observamos que o Irã recorre a países como Brasil, Turquia e China para evitar as sanções internacionais", disse Hillary.

O Brasil ocupa atualmente um assento não-permanente no Conselho. Estados Unidos, Reino Unido, França e Rússia, quatro dos cinco membros permanentes do órgão (o outro é a China), defendem a imposição de sanções ao Irã por suas intenções de enriquecer urânio a 20%, o que permitiria a fabricação de armas nucleares.

Após seu encontro com a chefe da diplomacia americana, Amorim sustentou que havia "escutado com atenção as percepções dos Estados Unidos" sobre o programa nuclear iraniano e que, "apesar de respeitá-las e levá-las em conta", não tinha visto um fato novo especial.

O chanceler insistiu na possibilidade de um diálogo, "que exigiria flexibilidade" das duas partes, e de um acordo como o que já tinha sido proposto para que o Irã possa adquirir urânio já enriquecido de outros países para usá-lo em seu programa nuclear.

"Achamos que é possível encontrar uma solução com base nos mesmos conceitos e ideias que inspiraram essa proposta. Admitimos que, diante da espiral de fatos negativos, cada vez é mais difícil uma negociação. Mas achamos que vale a pena o esforço", disse.

Segundo Amorim, essa proposta tem o mérito de reconhecer que Teerã tem direito a um programa nuclear civil e evitaria que esse país prossiga em seus esforços de querer enriquecer urânio a porcentagens cada vez maiores.

Hillary e Amorim reiteraram que, apesar de suas diferenças, os dois países compartilham o desejo de impedir a proliferação de armas nucleares.

"Nossos objetivos são idênticos: queremos um mundo sem armas nucleares e em que não haja proliferação. A pergunta é se as negociações ainda podem servir para conseguir esse objetivo ou se as sanções são mais úteis", afirmou Amorim.

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