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04/03/2010 - 19h06

Assembleia venezuelana rejeita auto de juiz espanhol

Caracas, 4 mar (EFE).- A Assembleia Nacional venezuelana rejeitou hoje o auto de um juiz espanhol que vincula o Governo de Hugo Chávez a uma suposta aliança da ETA e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A Câmara, de maioria governamental, aprovou um "pronunciamento" contra o caso aberto pelo juiz Eloy Velasco após os discursos de deputados que qualificaram de "infames" as insinuações de que o Governo Chávez tenha ligações com a ETA e as Farc.

O parlamentar governista Carlos Escarrá disse que o juiz espanhol elegeu por conta de interesses "o caminho do show" para divulgar o caso, e considerou que podia ter enviado uma nota "rogatória" às autoridades venezuelanas que incluísse as incógnitas que deseja esclarecer.

Escarrá se referiu também às declarações de hoje do ministro de Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, e comentou que Madri "retrocedeu" ao afirmar que não pediu explicações à Venezuela, mas apenas informações sobre o assunto.

Esta foi a primeira reação em Caracas às declarações de Moratinos, que afirmou nesta quinta-feira que a intenção do presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, foi pedir "informações" a Chávez sobre sua suposta ajuda para que a ETA e as Farc criassem uma aliança.

O chefe da diplomacia espanhola fez esta afirmação depois de na quarta-feira o presidente venezuelano assegurar que não tinha "nada" a explicar a Zapatero e lhe indicasse que perguntasse isso a seu ministro de Exteriores.

Chávez afirmou que antes de Zapatero dizer na segunda-feira que pedia explicações ao Governo da Venezuela sobre este assunto, ele já tinha conversado com Moratinos, que lhe explicou que a acusação do juiz era um procedimento judicial e, como tal, independente do Governo.

O presidente venezuelano disse ainda que Moratinos em nenhum momento lhe pediu explicações e que esclareceu que tudo se devia a uma atuação autônoma de um juiz.

O juiz Velasco processou no último dia 1° seis supostos membros da ETA e sete supostos integrantes das Farc por ter supostamente estabelecido uma aliança para atentados na Espanha contra funcionários de alto escalão da Colômbia, como o presidente Álvaro Uribe.

Em seu auto, o magistrado considera que há indícios da "cooperação" do Governo da Venezuela na suposta aliança.

Moratinos expressou hoje sua confiança em que Chávez colabore com a Audiência Nacional para que seja possível esclarecer os indícios desses supostos vínculos, e também disse que quando falou com o presidente venezuelano e com seu colega, Nicolás Maduro, os rejeitaram qualquer conivência com a ETA.

Na sessão de hoje da Assembleia Nacional venezuelana, outro deputado governista, Luis Tascón, solicitou que a resposta à Espanha não seja "apenas no papel", e falou sobre anexar um parágrafo ao "pronunciamento" no qual se indique que a Venezuela vai revisar as relações comerciais com o país.

Posteriormente, o parlamentar retirou esse pedido, mas sob a condição de uma nova redação do texto final que possua uma posição mais dura que a expressada na nota inicial.

Por sua parte, Juan José Molina, deputado do opositor Podemos, disse que o Governo venezuelano deve aceitar o auto do juiz Velasco, o que lhe valeu a qualificação de "traidor" por parte da bancada oficial.

Os partidos e movimentos venezuelanos opositores, reunidos na chamada "Mesa da Unidade Democrática" (MUD), acusaram hoje Chávez de ter transformado internacionalmente à Venezuela em um "país suspeito".

Para a Mesa, as relações de Chávez com as Farc, com organizações "catalogadas como terroristas pela comunidade internacional", da mesma forma que alianças com países considerados "fugitivos", transformam a Venezuela em um país suspeito em nível internacional.

As suspeitas, diz o comunicado, vão desde "cooperar com o narcotráfico", até "encorajar, propiciar ou até apoiar movimentos terroristas internacionais".

Tudo isso coloca os venezuelanos "em uma precária postura de credibilidade", assinala o texto.

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