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04/03/2010 - 06h02

Expedição que passou por ilha chilena lamenta pelos amigos que deixou por lá

Alida Juliani Madri, 4 mar (EFE).- Quando em 17 de dezembro de 2009 a expedição Rota Quetzal BBVA desembarcou na ilha chilena de Robinson Crusoé, ninguém podia imaginar que dois meses depois uma onda de quinze metros ia arrasar o povo de São João Batista e transformar a seus habitantes nos 'náufragos' do século XXI.

As pessoas que sobreviveram ao maremoto que atingiu, no último sábado, a baía de Cumberland, onde os membros da expedição chegaram a bordo da barcaça "Valdivia", perderam tudo, suas casas, seus pertences, seus negócios, e inclusive membros de sua família, amigos ou vizinhos.

"É triste ver a devastação, sobretudo quando você conhece pessoas que faleceram, como o menino de oito anos que se empolgava com tudo quando chegamos. É muito duro pensar nisso", assinalou à agência Efe Íñigo de la Quadra-Salcedo, administrador da Rota e filho do diretor da expedição, Miguel de la Quadra-Salcedo.

Quando os expedicionários chegaram ao arquipélago de Juan Fernández, situado a 700 quilômetros do continente chileno, para rememorar as aventuras do famoso personagem surgido da imaginação do escritor britânico Daniel Dafoe, os habitantes do local, então pessoas anônimas, os receberam com uma hospitalidade difícil de encontrar hoje dia.

Quadra-Salcedo diz que a Robinson Crusoé é "uma ilha especial para todos, pela convivência, o trabalho realizado, as pessoas, eram todos uma maravilha, o ambiente que se formou foi muito especial".

Com os habitantes da ilha, os membros da expedição compartilharam teto em preciosas cabanas de madeira com vistas ao mar; comida, elaborada com suculenta lagosta cozida, empanada ou assada, e cerveja com suave sabor de mel, de fabricação própria.

Expedicionários e moradores mantiveram longas conversas sobre a vida, os sonhos e as ilusões de uns e de outros enquanto compartilhavam coquetéis típicos chilenos no terraço do bar "Cumberland", cenário onde os irmãos Balbontín, guias turísticos durante o dia e músicos à noite, entoavam cantos à sua ilha.

Mais que nunca ressoa agora na mente dos que tiveram a sorte de conhecer o pequeno paraíso de Robinson Crusoé a frase de Pedro Nieva, dono de "O Peixe Voador", quando disse que "o autêntico tesouro da ilha é ela própria".

"Comparar as fotos do antes e o depois e não reconhecer nada é incrível. Não ficou nada, nem a praça onde os garotos da Rota ofereceram um concerto aos habitantes. Parte a alma. Sabemos que tudo será reconstruído, mas não será mais nossa ilha", refletiu Quadra-Salcedo.

Expedicionários de todas as partes do mundo mantêm vivo o desejo de colaborar na reconstrução do que o mar se levou em alguns minutos.

"Agora o mais importante é concentrar-se em encorajar essa comunidade com a qual compartilhamos tanto, e nesse sentido é incrível ver como o povo, cada um desde seu lugar, tenta fazer sua parte", ressaltou.

Perante a impossibilidade de ajudar diretamente, os membros da expedição encontram consolo momentâneo nas notícias que vão chegando pouco a pouco, através da rede Facebook, e-mail ou mensagens de telefone.

Sabem que a Marinha chilena já enviou três navios à ilha com ajuda, porque Alejandro, marinheiro do "Valdivia", confirmou antes de partir rumo ao sul do país para colaborar na reconstrução dos povos litorâneos mais afetados.

As notícias que confirmam que os amigos que deixaram em Robinson seguem com vida também são motivos de alegria, principalmente quando dizem que não querem sair de lá, pois querem trabalhar "obviamente" para reconstruir o povo que lhes viu nascer ou que lhes acolheu em algum momento de sua vida.

"Vamos Chile!" ou "Força Chile!", exclamam em suas mensagens pela rede os que viveram de perto a catástrofe e lembram aos que estão longe que, "acabaram as lamentações", porque é hora de "encorajar e dar carinho" aos que o perderam tudo para que possam começar de novo.

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