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05/03/2010 - 18h48

Dissidente cubano rejeita pedido para deixar jejum porque "já há um morto"

Havana, 5 mar (EFE).- O dissidente cubano Guillermo Fariñas, em greve de fome e sede há nove dias, recebeu hoje o diplomata espanhol Carlos Pérez Desoy, que lhe pediu para deixar o jejum, mas recebeu a resposta de que o protesto é "irreversível" porque "já há um morto" e pode haver outros, disse o opositor.

"Ele (Desoy) tentou fazer com que eu desistisse do jejum, mas expliquei que já era uma questão irreversível, porque havia um morto envolvido e é possível que haja outros presos políticos mortos em breve", disse Fariñas em referência a Orlando Zapata, que morreu em 23 de fevereiro após uma greve de fome de 85 dias.

Fariña, que é jornalista e psicólogo e tem 48 anos, explicou à Agência Efe por telefone que esteve reunido durante duas horas com Desoy, conselheiro político da Embaixada da Espanha em Havana, em sua casa na cidade de Santa Clara, a 280 quilômetros ao leste de Havana.

O dissidente relatou que entregou ao diplomata um "pedido" ao Governo espanhol, sobre o qual não quis dar detalhes.

Fariñas elogiou Desoy, número três da Embaixada espanhola em Havana, mas disse que "uma coisa são os diplomatas que estão em Cuba e outra é o Governo espanhol".

"Eu, e todos meus irmãos de luta, pedimos ao Governo espanhol para que deixe de lamentar o assassinato de Orlando Zapata Tamayo e comece a condená-lo", ressaltou o opositor, que, assim como o resto da dissidência, culpa o Governo cubano pela morte.

Fariñas começou sua greve de fome e sede para pedir a libertação de 26 presos políticos cubanos doentes, segundo a oposição.

De acordo com ele, se não houver uma posição "forte", é possível que "ocorra outro assassinato de Estado com os presos que estão em condições muito ruins".

Na quarta-feira passada, o dissidente foi hospitalizado após sofrer o primeiro choque hipoglicêmico desde que começou seu jejum, mas recuperou a consciência e voltou para casa após receber por via intravenosa oito litros de soro fisiológico.

Embora tenha dito hoje que se sente "fisicamente" melhor, explicou que os médicos diagnosticaram uma virose que pode aumentar sua deterioração física.

O dissidente passou mais de 11 anos preso e fez 23 greves de fome desde 1995, uma delas de seis meses em 2006, com intervalos em um hospital onde foi alimentado por via intravenosa, para exigir acesso irrestrito à internet na ilha.

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