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05/03/2010 - 16h54

Reconciliação é tarefa pendente para novo Governo iraquiano

Agustín de Gracia Kadhimiya (Iraque), 5 mar (EFE).- Na mesquita xiita do imame Musa Jafar al-Kadhim, na cidade de Kadhimiya, no Iraque, há um edifício lateral que tradicionalmente era destinado aos fiéis sunitas, mas há muito tempo que ali só podem rezar os xiitas.

O caso dessa mesquita, santuário de um dos imames xiitas mais venerados, é mais um claro sinal das divisões que ainda existem entre sunitas e xiitas no Iraque. Os políticos iraquianos querem solucioná-las, mas todos creem que isso levará muito tempo.

"Durante o regime de Saddam Hussein, não havia diferenças entre sunitas e xiitas. Passamos para a fase crítica, e a partir de agora veremos os resultados", disse à Agência Efe Salah Abbas al-Musawi, xiita, dono de uma loja de joias de ouro próxima à mesquita de Kadhimiya.

Como todas as sextas-feiras ao meio-dia, milhares de fiéis se aproximavam hoje ao templo pela calçada de acesso, rodeada por várias lojas e camelôs, depois de passarem por três revistas corporais para detectar explosivos.

A formosa mesquita, com sua cúpula dourada e quatro imponentes minaretes, decorada com trechos do Corão e azulejos azuis e verdes, é o santuário do imame Musa Jafar al-Kadhim.

No local, são lembrados ainda os duros combates que houve em suas proximidades entre tropas americanas e insurgentes sunitas, há vários anos, e dois graves atentados com explosivos, o último em 4 de janeiro de 2009, que deixou 37 mortos e 53 feridos.

Próximo a Kadhimiya, de maioria xiita e na província de Al Anbar, há uma ponte que faz ligação com o distrito de Adhamiya, de maioria sunita, na periferia de Bagdá. Essa ponte ficou fechada durante muito tempo, logo após a ocupação militar dos Estados Unidos em 2003, mas agora está aberta.

Al-Musawi se declara partidário do Governo de Nouri al-Maliki, e cita como exemplo o fato de que hoje se pode atravessar a ponte para Adhamiya.

"Se você planta uma palmeira, tem que esperar 3 anos para conseguir as tâmaras. Al-Maliki levou três anos para conseguir a estabilidade no Iraque e os próximos anos serão de desenvolvimento", acrescenta o joalheiro, de 48 anos.

São muitos no Iraque que pensam que a violência sectária vem de fora e vai de encontro à harmonia do passado, quando xiitas e sunitas compartilhavam mesquitas, como a de Kadhimiya.

"Queremos a reconciliação, estamos perto. A razão dessa divisão se deve à Al Qaeda e aos americanos", sustenta Mohamed Attah, um vendedor de sapatos de 22 anos que trabalha nos arredores da mesquita de Kadhimiya.

"A violência não é gerada no Iraque, ela vem de fora", insiste Al-Musawi.

Os sentimentos sectários se exacerbaram no Iraque em 2006, por causa de uma bomba que destruiu parte de um importante santuário xiita da cidade de Samarra, o que colocou o país à beira da guerra civil.

Parte do ódio foi alimentado pela mensagem sectária difundida no início pelo Governo de al-Maliki, agora mais reconciliador. A bandeira da discórdia foi levantada por grupos terroristas vinculados à Al Qaeda, opostos a um Governo iraquiano de maioria xiita.

"O Governo é culpado por esse sectarismo", declarou hoje à Agência Efe o xeque Leizal Kabani, de 39 anos, na mesquita do bairro de Al Mansur, de Bagdá. A mesquita foi um templo que Saddam Hussein mandou construir para os sunitas e que depois foi apropriado pelo partido xiita Fadhila em 2003, e cuja construção ficou paralisada desde então.

"Os políticos, sejam sunitas ou xiitas, tentam dividir as pessoas para se manter no poder", declarou o xeque Assad, de 40 anos, porta-voz da mesquita de Al Mansur, antes de entrar hoje no templo para participar das orações da sexta-feira.

A campanha eleitoral chegou hoje às mesquitas do país, no último dia de atos políticos para as eleições do domingo.

Em Kadhimiya, dezenas de pessoas simpatizantes do clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr faziam hoje uma manifestação em frente ao templo em favor do líder, cantando palavras de ordem contra "a opressão", contra Israel e a favor de sua milícia, o Exército Mehdi.

Em Al Mansur, bairro de Bagdá que ontem foi palco de um atentado que deixou três mortos e 15 feridos, o imame da mesquita pediu em seu sermão o voto para os candidatos da aliança xiita Aliança Nacional Iraquiana, liderada pelo Conselho Supremo Islâmico do Iraque e pelo clérigo Moqtada al-Sadr.

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