UOL Notícias Notícias
 

06/03/2010 - 09h29

Iraque volta às urnas dividido e acuado

Ali Jaabari.

Bagdá, 6 mar (EFE).- O Iraque votará nas eleições parlamentares de amanhã cansado do conflito interno e do terrorismo e em meio a uma situação política complicada, de fortes divisões sectárias, deficiências nos serviços básicos e alto desemprego.

Os pilares do atual sistema político do país foram criados a partir da Constituição aprovada pelo Parlamento eleito em 2005, dois anos após a queda do regime Saddam Hussein e da invasão militar liderada pelos Estados Unidos.

Embora o Iraque tenha ido às urnas duas vezes desde então - no pleito parlamentar de dezembro de 2005 e nas eleições regionais de janeiro de 2009 -, a democracia continua desagradando muitos iraquianos que simpatizam com as ideias do passado.

"Os povos do mundo todo agradecem à democracia, mas no Iraque é diferente, porque sua sociedade é sectária, e aqui a democracia fracassará", avalia o administrador Mohammed Qassem al-Kahabi, de 51 anos.

O atual primeiro-ministro do país, Nouri al-Maliki, um político quase desconhecido há cinco anos, foi eleito para o cargo em 22 de abril de 2006. Ele só chegou ao poder porque os Executivos surgidos de duas negociações anteriores não vingaram. Mas o desgaste que sofreu ao longo dos últimos anos agora coloca em risco sua reeleição.

"Não houve grandes avanços (desde 2006), ao que se soma a perda de harmonia política", comenta o analista político e professor universitário Mahdi Khalil sobre a evolução do país.

A divisão que dominou o pleito parlamentar anterior conduziu o Iraque a um conflito armado que se agravou a partir de 2006 e só diminuiu quando os EUA elevaram o número de tropas em solo iraquiano.

Os soldados americanos, junto ao Exército do Iraque e às milícias pró-Governo, conseguiram conter os rebeldes, mas não foram capazes de deter a onda de ataques terroristas lançados por grupos de etnias rivais ou ligados à Al Qaeda.

Além da violência, a falta de oportunidades é outro fator que corrói o país. Segundo dados extraoficiais, um terço da população economicamente ativa está desempregada, e o Estado virou a principal fonte geradora de trabalho.

Atualmente, 25% dos iraquianos vivem abaixo da linha da pobreza, mesmo o Iraque tendo uma economia baseada no petróleo, cuja exportação é responsável por 90% da receita estatal. Nos centros urbanos, a sensação da população é de abandono.

Líderes políticos como Abdel Mahdi, do Conselho Supremo Islâmico Iraquiano - o principal partido xiita e antigo aliado de Maliki - descrevem como "catastrófica" a situação dos serviços básicos e acusam o Governo de incompetência.

A opinião dos analistas políticos é que, conforme as eleições foram se aproximando, agravaram-se os problemas políticos que vêm afetando o Iraque nos últimos anos, como as tensões sectárias, a corrupção e a falta de entendimento em relação a preocupações comuns.

Essas ficaram patentes com a discussão da lei eleitoral e pioraram com o anúncio de cerca de 500 candidatos inscritos para o pleito de amanhã não poderiam disputá-lo devido a seus supostos vínculos com seguidores de Saddam Hussein.

A proibição, muito criticada nos círculos sunitas porque vários candidatos vetados pertencem a essa etnia minoritária, representou um retrocesso nos esforços de reconciliação e gerou suspeitas de ingerência dos líderes xiitas do Irã.

A tudo isso se soma a intenção dos EUA de retirar suas tropas do Iraque progressivamente, até o fim de 2011. A decisão provavelmente terá repercussões políticas positivas para os que defendem a bandeira do patriotismo. Por outro lado, poderá servir de argumento para os que acreditam que a segurança do país ficará mais vulnerável.

" Pode ser que as tropas dos EUA estejam de saída, mas é muito cedo para abandonar o Iraque aos caprichos dos conflitos internos e das rivalidades regionais", diz o último relatório sobre o Iraque feito pelo Crisis Group, instalado em Bruxelas e que se dedicada à análise dos conflitos no mundo.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host