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06/03/2010 - 00h20

Organização faz levantamento e demonstra preocupação com o caos no Haiti

Porto Príncipe, 5 mar (EFE).- A Rede Nacional de Defesa dos Direitos Humanos (Rnddh) do Haiti expressou hoje sua preocupação pela situação geral no país, onde considera que a segurança e as condições de vida se deterioraram após o terremoto do dia 12 de janeiro, que devastou a capital e outras cidades.

O organismo, que publicou hoje um relatório especial, indicou que a situação da segurança um mês e meio após a tragédia é "preocupante, tanto nos campos (de refugiados) como nas ruas da capital e algumas grandes aglomerações" onde se concentram pessoas desabrigadas.

"Pelo menos 38 pessoas morreram por ferimentos de bala no período entre 27 de janeiro e 24 de fevereiro", revelou a Rnddh, que destacou a fraqueza da Polícia enquanto se reorganizam grupos de bandidos que escaparam da prisão.

Mais da metade da população carcerária do país fugiu após o terremoto, e o número de prisioneiros passou de 8.535 a 3.661, segundo a Rede, que destacou que entre os fugitivos estão "indivíduos acusados de crimes espetaculares".

"Várias bases de grupos armados começam a funcionar novamente", particularmente em Cité Soleil, na periferia norte de Porto Príncipe, e em bairros da periferia sul, assinalou.

Enquanto isso, as autoridades se encontram em difícil situação após a perda de 75 agentes, o desaparecimento de outros 67 e as lesões de 253, cinco dos quais sofreram amputações. Além disso, 42 delegacias e outros edifícios da Polícia foram afetados pelo sismo.

Quanto aos campos de refugiados, a Rnddh contabilizou 1.053 em todo o país (mais que o dobro do número oficial conhecido até agora), e assinalou que neles "a segurança não está garantida".

Entre 13 de janeiro e 24 de fevereiro, "pelo menos 19 casos de violação de mulheres" foram registrados pela organização.

Cerca de 1,2 milhões de pessoas precisam de refúgio, entre eles "pelo menos 450 mil crianças", muitos órfãos de pai e mãe, ressaltou.

Nos campos "o lixo é mal administrado, a água utilizada se acumula, os locais usados como banheiros fedem" e o tudo isso "traz insetos nocivos para a saúde, como os anófeles, a mosca verde", constatou a Rnddh.

O organismo criticou a gestão da crise por parte do Governo que, "surpreendido por esta catástrofe, se mostrou incapaz de organizar as medidas de emergência (...). Poderiam salvar vidas se o Estado haitiano tivesse tido capacidade de trabalhar para ajudar as vítimas imediatamente depois do desastre".

Além disso, segundo a Rnddh, o Governo não se preocupou com a proteção do patrimônio nacional. "Documentos nacionais importantes que se encontravam sob as ruínas de edifícios públicos como o Palácio Nacional, o Tribunal de Justiça, a Direção Geral de Impostos (entre outros) não foram recuperados".

Por outra parte, o organismo estimou que o Governo foi "descartado para intervir na gestão da ajuda internacional, à medida em que não inspira confiança alguma e não demonstra competência em matéria de gestão da coisa pública".

A Rnddh criticou, ainda, o sistema estabelecido pela comunidade internacional para a distribuição da ajuda humanitária, já que "não chegou às categorias sociais mais afetadas pelo sismo" e "foi criado um mercado paralelo" onde "se vende" a ajuda oferecida.

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