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08/03/2010 - 18h30

ONU diz ao mundo empresarial que igualdade de gênero é "bom negócio"

Joaquim Utset.

Nações Unidas, 8 mar (EFE).- A ONU pediu hoje ao mundo empresarial um esforço maior para eliminar os obstáculos que ainda dificultam a ascensão da mulher no ambiente corporativo e impedem o aproveitamento de todo o seu potencial.

O organismo aproveitou a comemoração hoje do Dia Internacional da Mulher para apresentar um guia com recomendações para avançar na igualdade de gênero na iniciativa privada, questão ainda em debate na luta pelos direitos da mulher.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, ressaltou que a igualdade de gênero não é apenas um "assunto de direitos humanos", mas também "um imperativo econômico e social".

"Até que mulheres e meninas não se libertem da pobreza e da injustiça, objetivos como a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável estão em perigo", apontou Ban em nota.

As recomendações ao setor privado apresentadas pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem, na sigla em inglês) e o programa de responsabilidade corporativa do organismo, Global Compact, ganharam o título de "A Igualdade é Negócio".

"Faz tempo que se conhece o efeito multiplicador de dar força à mulher, mas o que é significativo e novo hoje em dia é que o próprio mundo corporativo sabe que a igualdade é um bom negócio", disse a diretora da Unifem, Inés Alberdi.

Alberdi e o diretor-executivo do Global Compact, Georg Kell, enumeraram em entrevista coletiva sete princípios que o mundo empresarial pode seguir para integrar a mulher em postos de comando com sucesso.

Ambos lembraram que a presença da mulher em cargos altos e conselhos de direção continua sendo muito baixa e citaram como prova disso um estudo da emissora britânica "BBC" de 2009 segundo a qual apenas 10% dos diretores das 100 principais empresas com ações na bolsa de valores de Londres são mulheres.

Kell e Alberdi também falaram que uma recente pesquisa da empresa de consultoria McKinsey feita com 2.300 altos executivos de empresas multinacionais revelou que as companhias com políticas de promoção da mulher têm lucros maiores.

Alguns dos princípios incluídos no guia são a adoção da igualdade como prioridade nos altos escalões das companhias, a implantação de uma política de tolerância zero ao assédio sexual e a promoção da educação e do treinamento da mulher.

Segundo Alberdi, estas recomendações abordam os obstáculos que continuam impedindo o avanço da mulher na iniciativa privada, como o assédio e a violência sexual.

Entre 40% e 50% das mulheres da União Europeia (UE) disseram ter sido alguma vez alvo de assédio sexual.

Essas recomendações querem dar um novo impulso à integração da mulher no mundo empresarial, um dos terrenos em que a ONU considera que ainda há muito a fazer.

Este é, além disso, um dos aspectos da luta pelos direitos da mulher que a 54ª sessão da comissão da ONU sobre o status jurídico e social da mulher debate na sede do organismo entre os dias 1º e 12 de março.

Em entrevista à Agência Efe, Alberdi ressaltou que um aspecto no qual houve avanços definitivos é a "consolidação da legitimidade dos direitos das mulheres".

"Eu não acho que haja nenhuma empresa ou nenhum país que possa defender legitimamente que os direitos das mulheres não são direitos humanos, e que não é necessário que participem da política ou que tenham os mesmos salários dos homens", ressaltou.

Segundo ela, desde a Declaração de Pequim de 1995, que considerou os direitos das mulheres como fundamentais para o desenvolvimento, o debate se centrou em levar à prática os avanços legais adquiridos desde então.

"Quanto aos compromissos da comunidade internacional, a aceitação por parte dos Governos e a legitimidade das propostas e demandas das mulheres, não há dúvida que avançamos muito. O problema é a implantação", acrescentou.

Alberdi ressaltou que o "próximo horizonte" na defesa dos direitos das mulheres é alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio em 2015, já que suas oito metas estão ligadas ao progresso da mulher.

A diretora da Unifem também considerou importante que as Nações Unidas iniciem a nova "superagência" centrada na promoção e na defesa dos direitos da mulher cuja criação foi autorizada pela Assembleia Geral no ano passado.

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