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09/03/2010 - 16h57

Plano de Portugal contra crise esbarra em sindicatos e opositores

Lisboa, 9 mar (EFE).- O congelamento de salários no setor público, a privatização de empresas e o aumento de impostos aos trabalhadores de renda mais elevada, medidas contempladas no plano contra a crise do Governo de Portugal, geraram insatisfação entre sindicatos e partidos de oposição.

Os sindicatos se uniram hoje à rejeição às medidas de austeridade, enquanto os conservadores, em que o Governo espera se apoiar, criticaram o aumento de impostos previstos.

O primeiro-ministro português, José Sócrates, teve hoje uma segunda rodada de reuniões com as forças políticas e sociais na busca de apoio às severas medidas de contenção da despesa que anunciou na segunda-feira. O objetivo é reduzir até 2013 o déficit do Estado dos atuais 9,3%, para 2,8%.

Porém, o dirigente da União Geral de Trabalhadores (UGT, de tendência socialista) João Proença, normalmente pouco crítico ao Governo, disse que o congelamento salarial é totalmente inaceitável e pode gerar uma onda de protestos no país, que na semana passada viveu uma greve de funcionários públicos.

Manuel Carvalho da Silva, secretário-geral da Confederação Geral de Trabalhadores de Portugal (CGTP, de orientação comunista), o maior e mais combativo sindicato luso, criticou o valor de vendas das empresas públicas previstas no programa, para ele mal feito, desequilibrado e injusto.

Só Antônio Saraiva, presidente da Confederação de Indústrias Portuguesas (CIP, principal patronal do país), pediu apoio nacional às medidas propostas pelo Governo no Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC), que José Sócrates pretende apresentar à União Europeia.

Sócrates, que pediu responsabilidade à oposição para criar confiança e relançar a economia lusa, defendeu hoje que as medidas são "um caminho difícil", mas necessário para reequilibrar as contas públicas.

O plano proposto pelo Governo socialista, que precisa ser aprovado num Parlamento dominado pela oposição, quer reduzir a despesa social e militar, taxar em 45% os salários mais altos, reduzir o número de funcionários públicos e vender empresas públicas.

O plano contempla também que a economia cresça de forma paulatina nos próximos quatro anos, de 0,7% previsto para este ano a 1,7% em 2013. No entanto, o desemprego, agora em 9,7%, deve cair apenas para 9,3%.

As medidas do Governo luso foram recebidas com frieza e desconfiança pelos partidos conservadores, e com críticas e ameaças de protesto pelas legendas de tendência marxista.

O ministro das Finanças português, Fernando Teixeira dos Santos, declarou hoje que o Governo está disposto a enfrentar a possível contestação social, mas pediu responsabilidade a todos e lembrou que não adotar tais medidas teria consequências piores.

Segundo ele, Portugal enfrenta um cenário de bloqueio do financiamento e de dificuldades enormes para as empresas que comprometeriam o futuro do crescimento e o emprego.

O ministro ressaltou a importância de garantir um claro apoio político e social ao plano do Governo, de modo a convencer tanto a sociedade lusa como as instituições internacionais de que há capacidade de corrigir os problemas financeiros do país.

O presidente da patronal industrial, que se mostrou o mais compreensivo com o plano do Governo, ressaltou que não se pode esperar "um milagre" e que é preciso fazer sacrifícios.

O presidente do Banco de Portugal (central), Vitor Constancio, foi uma das poucas vozes a se mostrar hoje de acordo com o plano de Sócrates. Segundo ele, as medidas serão aprovadas por Bruxelas por serem "adequadas" para o objetivo de diminuir o déficit.

No plano do Governo luso aparece também acabar com o direito dos funcionários públicos de se aposentar aos 62 anos ou após 25 de serviço. A ideia é que, em 2014, eles estejam sujeitos à idade geral de retirada (65 anos), e que a substituição ocorra para apenas uma de cada duas baixas de empregados estatais.

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