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10/03/2010 - 19h23

Piñera assume poder no Chile como presidente da reconstrução

Fuencis Rausell.

Santiago do Chile, 10 mar (EFE).- Sebastián Piñera, o primeiro presidente de direita eleito no Chile em meio século, queria chegar ao Palácio de La Moneda para aplicar "uma nova forma de governar", mas o terremoto de 27 de fevereiro o obrigará a mudar de planos.

Piñera receberá na quinta-feira a faixa presidencial da socialista Michelle Bachelet. A governante prevê que a reconstrução do Chile pode durar praticamente os quatros anos do mandato do seu sucessor.

O empresário chileno ganhou as eleições do dia 17 de janeiro, vencendo o candidato governista da Concertación, Eduardo Frei, por uma pequena margem.

O presidente eleito já anunciou que realizará uma mudança de comando "austera", dando passagem a um Governo marcado de antemão pelo terremoto que deixou centenas de mortos e mais de dois milhões de desabrigados.

"Nosso futuro Governo não vai ser o do terremoto, vai a ser o da reconstrução", afirmou o presidente eleito. Ele anunciou que tentará modificar o Orçamento de 2010 a fim de adequá-lo a esse objetivo.

Em fevereiro, apenas um dia depois da catástrofe, Piñera afirmou que destinaria 2% do orçamento do Estado à reconstrução das zonas afetadas, em especial às regiões de Maule e Bío-Bío, ambas no sul.

Para isso foram estabelecidas três etapas: a primeira, encontrar os desaparecidos, restabelecer os serviços básicos e reativar o aparelho produtivo; a segunda, reformular o programa de Governo que tinha antes da catástrofe e a terceira, iniciar o plano de reconstrução.

Na falta de números globais, o Governo Bachelet estimou que serão necessários entre US$ 1 bilhão e US$1,2 bilhões para reparar as infra-estruturas danificadas, e outros US$ 3,6 bilhões para reconstruir os hospitais públicos.

Piñera espera contar com o apoio da Concertação para pôr as regiões mais devastadas pelo terremoto de pé. Após passar 20 anos no poder, a coalizão se mostrou disposta a exercer uma oposição responsável.

O presidente eleito fez diversas tentativas de estabelecer um Governo de união nacional, inclusive antes do terremoto. No entanto, conseguiu convencer apenas o democrata-cristão Jaime Ravinet, que será seu ministro da Defesa.

O próprio Piñera simpatizou com a Democracia Cristã quando era jovem - um dos quatro partidos da Concertação - e votou contra a continuidade do ditador Augusto Pinochet (1915-2006).

Embora em sua coalizão figurem ainda muitos partidários da ditadura (1973-1990), ele sempre condenou a violação dos direitos humanos perpetrada durante o regime militar chileno.

Católico praticante, Piñera se declara contrário ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas apoiou a lei do divórcio e é partidário da distribuição da pílula do dia seguinte e do reconhecimento de determinados direitos aos casais de fato.

Doutor em Economia pela Universidade de Harvard, o empresário foi senador entre 1990 e 1998 pela Renovação Nacional, um dos dois principais partidos da Coalizão pela Mudança. Em 2005, perdeu as eleições presidenciais para Bachelet.

Nascido em Santiago do Chile em 1949, em uma família de classe média, Piñera é casado desde 1973 com Cecilia Morel, é pai de quatro filhos e possui uma fortuna calculada, segundo a revista "Forbes", em US$ 2 bilhões.

Entre os seus bens estão um canal de televisão, grandes extensões de terras no sul do Chile e parte das ações do time de futebol Colo Colo, das quais ele não quis abrir mão.

Piñera já vendeu 9,76% das suas ações na clínica Las Condes, uma das mais modernas e exclusivas do país, e recebeu US$ 37 milhões pelo negócio.

Por outro lado, o presidente eleito não poderá cumprir a promessa de alienar todas as ações que possui da LAN, considerada a principal companhia aérea da América Latina.

Ele já se desfez de 19,03% das ações da companhia aérea, uma operação que lhe rendeu US$ 1,23 bilhão, mas ainda possui 11,33% do total.

Na semana passada, Piñera prorrogou a venda desse pacote até o dia 30 de abril devido ao terremoto.

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