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11/03/2010 - 16h42

Suspensão de diálogo volta a minar paz entre Israel e palestinos

Nuha Musleh.

Ramala, 11 mar (EFE).- A Autoridade Nacional Palestina (ANP) cancelou hoje a retomada do diálogo com Israel, que teria mediação americana, em protesto pela decisão do Estado judeu de construir mais casas em Jerusalém Oriental.

"As conversas só terão lugar se Israel recuar da decisão", assegurou o chefe negociador palestino, Saeb Erekat, à Agência Efe. Ele se referia ao anúncio israelense da construção de 1,6 mil casas em um bairro judeu ultra-ortodoxo em território ocupado.

Para Israel o bairro de Ramat Shelomó, no extremo norte da cidade santa, lhe pertence. Já os palestinos o consideram um território ocupado como qualquer outra parte de Jerusalém Oriental e da Cisjordânia.

A decisão chega duas semanas depois de a Liga Árabe dar sinal verde para o diálogo que contaria com a mediação de Washington. A Liga se reuniu nesta quarta-feira em caráter emergencial e condicionou qualquer negociação direta ou indireta ao fim das construções em solo palestino.

Tanto palestinos quanto israelenses haviam aceitado retomar o processo de paz, interrompido há mais de um ano. Pela primeira vez em duas décadas as conversas seriam realizadas de forma indireta.

Erekat ressaltou que antes de falar de paz é preciso ouvir do enviado especial americano ao Oriente Médio, George Mitchell, que o projeto está cancelado.

O anúncio da construção aconteceu durante a visita do vice-presidente americano, Joe Biden, a Israel. Ele estava reunido com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu quando a comissão de planejamento de Jerusalém aprovou o projeto.

Hoje, o diário israelense "Ha'aretz" revelou que a Prefeitura de Jerusalém tem planos de construir outras 50 mil casas em bairros judaicos da cidade que se encontram além da Linha Verde, divisa que separa os territórios reconhecidos de Israel e dos palestinos.

Os projetos estão em fases distintas de planejamento e aprovação e dificilmente virão à luz antes de dois anos, como explicou Meir Margalit, vereador do partido pacifista Meretz e conhecido ativista de esquerda na cidade.

O "Ha'aretz" diz que "espera-se que os planos de construção em Jerusalém nos próximos anos, inclusive décadas, centrem-se em Jerusalém Oriental".

Por enquanto, projetos de edificação de 20 mil apartamentos já se encontram em fase avançada de aprovação e implantação, acrescentou.

Margalit esclareceu que não considera o anúncio "tão dramático" porque o grosso da construção será efetuado no que Israel considera bairros a leste da Linha Verde, e que os palestinos já assumiram que ficariam sob soberania israelense em um eventual acordo de paz.

"Uma casa judaica nos bairros árabes de Silwán e Sheikh Yarraj é pior que mil casas em um desses bairros" argumentou.

O status de Jerusalém Oriental, ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias de 1967, é um dos principais problemas do conflito no Oriente Médio, uma vez que os palestinos pretendem que a cidade seja a capital de seu futuro Estado. Já Israel considera a cidade sua capital "eterna e indivisível".

Biden recomendou hoje aos israelenses que não esperem mais para dar uma solução ao conflito porque "o status quo é insustentável".

Em tom próximo e em algumas ocasiões paternalista, ele comentou em uma conferência na Universidade de Tel Aviv que "o ciclo (de violência) deve romper-se porque não é um segredo". "As realidades demográficas põem em risco um lar nacional judeu democrático à revelia de um Estado palestino", apontou.

"Não temos outra escolha além de nos prepararmos para o futuro", completou o vice americano.

Biden, que se reuniu com o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, antes de voar para Amã, última etapa de sua viagem pelo Oriente Médio, não fez menção à decisão dos palestinos de cancelar o diálogo indireto de paz.

Será Mitchell que terá de lidar com este novo obstáculo quando retornar à região, na semana que vem.

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