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12/03/2010 - 17h58

Hillary reforça condenação a Israel em conversa com Netanyahu

Washington, 12 mar (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, expressou hoje ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, seu mal-estar com o anúncio da construção de 1.600 casas em uma região de Jerusalém leste ocupada por Israel em 1967, o que considera "profundamente negativo".

A chefe da diplomacia americana conversou hoje por telefone com Netanyahu para reiterar as "fortes objeções" dos Estados Unidos ao anúncio, feito na terça-feira.

Hillary disse reprovar o anúncio não só pelo momento em que foi feito, mas também por seu conteúdo e alcance, assim como porque prejudica o processo de paz, informou hoje Philip Crowley, porta-voz do Departamento de Estado americano.

Na conversa com Netanyahu, Hillary deixou claro que o Governo americano considera o anúncio como "um sinal profundamente negativo de Israel a respeito das relações bilaterais" e sustenta que "é contrário ao espírito da visita do vice-presidente" dos EUA, Joe Biden, à região, disse Crowley.

A secretária de Estado destacou que esta ação "abalou a confiança no processo de paz e nos interesses dos EUA" na região e em seus esforços para relançar as negociações entre israelenses e palestinos, acrescentou o porta-voz.

Neste sentido, ressaltou que o Governo de Israel tem que demonstrar não somente com palavras, mas com ações específicas, seu compromisso com o processo de paz.

A titular do Departamento de Estado também disse ao primeiro-ministro israelense que "não entende como isso pôde acontecer", especialmente à luz do forte compromisso americano com a segurança de Israel, relatou Crowley.

As palavras de Hillary são uma dura e incomum reprovação por parte dos EUA ao seu aliado mais próximo no Oriente Médio.

O anúncio da construção de 1.600 novos imóveis em uma colônia judia em um bairro ultraortodoxo em território ocupado aconteceu na terça-feira, apenas um dia depois de o enviado especial de Washington para o Oriente Médio, George Mitchell, ter garantido que israelenses e palestinos tinham aceitado manter um diálogo indireto de paz.

Além disso, o vice-presidente Biden estava na região no mesmo dia para impulsionar essas negociações.

O próprio Biden condenou imediatamente o anúncio israelense e disse que abala a confiança necessária para retomar o processo de paz no Oriente Médio.

Israel se desculpou um dia depois publicamente pelo "mal-estar causado" pelo anúncio durante a visita à região de Biden e disse que desconhecia que o plano de ampliação do assentamento judaico de Ramat Shlomo, no território palestino ocupado de Jerusalém Oriental, seria aprovado justamente nesse momento.

O negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, disse na quinta-feira à Agência Efe que os palestinos cancelaram o diálogo indireto com Israel em protesto pelo anúncio das construções.

"As conversas acontecerão somente se Israel voltar atrás na decisão" de erguer imóveis em território ocupado.

Apesar disso, Crowley disse na quinta-feira que os palestinos não tinham informado aos EUA que deixariam o processo de diálogo.

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