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12/03/2010 - 10h06

Movimento conservador Tea Party ganha concorrente nos EUA

César Muñoz Acebes.

Washington, 12 mar (EFE).- Num piscar de olhos, o Tea Party, movimento lançado por conservadores americanos que se opõe a tudo que cheire a público, ganhou um rival, o Coffee Party, que como não podia deixar de ser, não vê o Governo como o diabo.

O movimento passará do mundo virtual para o de carne e osso no sábado, quando estão planejadas mais de 300 reuniões em cafeterias e restaurantes de todo o país.

"Encontramos um filão. Há um montão de pessoas neste país que quer expressar sua opinião", disse Leo Pierson à Agência Efe. O jovem de 28 anos é um dos seguidores do Coffee Party em Cincinnati (Ohio).

Tudo começou com uma mensagem que Annabel Park, de 41 anos, escreveu no Facebook. A diretora de documentários diz que estava cansada de ver as opiniões dos conservadores do país serem tomadas como termômetro da opinião da maioria da população.

"Vamos fundar um partido do café... Um partido do milk-shake, um partido do Red Bull. Qualquer coisa, menos do chá. Que tal um partido de capuccino? Isso deixaria eles realmente irritados, porque soa elitista".

"Eles" são os filiados do Tea Party (partido do chá, em tradução livre), um movimento conservador que arrebanhou boa parte das atenções políticas desde a sua fundação, em abril do ano passado. Os partidários do movimento lutam contra a expansão do Governo e o "socialismo" do presidente Barack Obama, palavra que falam como se os democratas usassem uma foice e um martelo pintados no rosto.

Mas acabou que o desencanto com o tom do debate político também esquentava na esquerda e a mensagem de Park recebeu uma resposta arrasadora.

Em seis semanas de existência, a página do grupo no Facebook ganhou mais de 100 mil seguidores. O movimento planeja uma convenção nacional e uma manifestação em Washington, ou seja, o mesmo que fez o Tea Party.

"Falta conexão entre as atitudes dos representantes que elegemos e a vontade do povo", reclamou Jeannine Stepanian, de 25 anos, uma das porta-vozes nacionais do Coffee Party.

A frase poderia ser dita por qualquer "patriota", como os membros do Tea Party gostam de serem chamados, já que os dois movimentos compartilham a desilusão com a política tradicional. No entanto, no que tange aos temas importantes, os dois fenômenos estão a anos luz um do outro.

Os conservadores se rebelam contra o ímpeto que eles veem no Governo em arrecadar e gastar mais e mais. Eles reclamam, em particular, da reforma na saúde proposta por Obama, que prevê uma maior atuação pública na área.

Por outro lado, o Coffee Party defende que "o Governo federal não é o inimigo do povo, mas a expressão da vontade coletiva".

Essa diferença ideológica os coloca na mira dos partidos Republicano e Democrata, respectivamente, embora ambos os movimentos afirmem sua independência.

Para os democratas, o nascimento do Coffee Party permite rebater as acusações de que os americanos estão muito insatisfeitos com a gestão de Obama, o que resultaria numa derrota nas eleições legislativas de novembro.

"Se os democratas forem capazes de canalizar parte de sua energia e fazer com que as pessoas vão às urnas, o Coffee Party pode ter um papel importante no pleito", opinou James McCann, professor de política na Universidade Purdue, no estado de Indiana.

No entanto, para o professor, a viabilidade do movimento a longo prazo é duvidosa. "O Coffee Party precisará de algo mais que simplesmente dizer 'Nós não somos como essas pessoas' (do Tea Party). Vai ter que representar algo", acrescentou Mas os líderes do movimento o veem como uma força capaz de impulsionar propostas concretas. "Não temos uma plataforma. Não defendemos nenhuma posição específica sobre nenhum tema", disse Stepanian.

Para Pierson, o objetivo é conseguir que as pessoas conversem sobre os assuntos nacionais e busquem posições comuns, em lugar de marcar uma postura de antemão. Entre os debates, naturalmente eles tomarão café. O chá ficará para os outros.

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