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12/03/2010 - 14h37

Papa se diz consternado com casos de pedofilia na Alemanhã

Juan Lara.

Cidade do Vaticano, 12 mar (EFE).- O papa está "consternado" com os casos de abusos sexuais contra menores cometidos por sacerdotes na Alemanha, afirmou hoje o chefe dos bispos do país, Robert Zollitsch, que foi ao Vaticano conversar com o pontífice.

O religioso foi convocado pelo papa para informar em primeira mão sobre os casos de abuso ocorridos nas décadas de 1970, 1980 e 1990. Estima-se que mais de 350 crianças foram abusadas.

O presidente da Conferência Episcopal Alemã também se reuniu com a Congregação para a Doutrina da Fé, que estuda adotar novas normas em todo o mundo para enfrentar os escândalos dos padres pedófilos.

A reunião com o papa durou cerca de 45 minutos e Bento XVI escutou "com grande consternação, atenção e profunda comoção" os casos relatados por Zollitsch.

O pontífice, disse o arcebispo de Friburgo, se mostrou favorável às medidas adotadas pela Igreja alemã para enfrentar o problema e reconheceu a capacidade da congregação de lidar com eles sem a ajuda da Santa Sé.

Entre as medidas, estão a nomeação do bispo de Treviri, Stephen Ackmann, como responsável para a gestão dos casos de pedofilia, a máxima colaboração com as autoridades civis e a oferta de assistência humana, psicológica e pastoral às vítimas e seus familiares.

Além disso, todas as dioceses alemãs terão que investigar os casos já conhecidos ou que possam vir à tona, por mais antigos que sejam, e as paróquias deverão adotar uma "cultura de vigilância".

Além disso, a Igreja alemã distribuiu um questionário sobre os casos, embora, destacou Zollitsch, a congregação ainda não tenha dados definitivos.

O arcebispo disse que sempre que existe uma suspeita de abuso são colocados o Estado e a Igreja abrem procedimentos próprios e independentes.

Ele reiterou a colaboração com as autoridades civis, que são informadas de todas as situações suspeitas, a não ser que a vítima peça explicitamente que o caso não seja divulgado ou que a segurança desta possa estar em risco devido a denúncia.

Zollitsch disse ainda que os bispos alemães estão desolados com os abusos e pediu perdão às vítimas. No entanto, ele afirmou que estes casos não acontecem só na Igreja Católica, apesar de admitir que são mais terríveis quando realizados por sacerdotes e educadores.

Os relatos de abusos afetam 23 das 26 dioceses católicas alemãs. As principais denúncias vêm da Canisius, uma escola jesuítica de elite em Berlim, do Coro da Catedral de Regensburg, de um colégio marista de Bamberg e de uma escola em Hessen.

A reunião do papa com Zollitsch aconteceu um dia depois de outro bispo alemão, Gerhard Müller, de Regensburg, ter dito que os sacerdotes pedófilos não podem seguir como tais. Ele também classificou como estúpidas as afirmações de que o celibato sacerdotal seja responsável pelos abusos.

Manifestações na mesma linha foram feitas nesta quinta-feira pelo cardeal hondurenho Oscar Rodríguez Maradiaga.

Os dois religiosos ficaram à margem das afirmações, depois minimizadas, feitas pelo cardeal de Viena, Cristoph Schoenborn, que afirmou que a educação dos sacerdotes, os resíduos da revolução sexual de 1968, o desenvolvimento da personalidade e o celibato podem explicar, em parte, as ações dos padres pedófilos.

A respeito do celibato, o jornal italiano "La Repubblica" afirmou hoje que a Santa Sé "começou a refletir" sobre esta norma surgida no Concílio de Elvira (Granada, Espanha) no ano 306, e que estuda "um projeto secreto para aboli-lo dentro de 50 anos".

O cardeal brasileiro Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, disse, logo após ser nomeado, em 2006, que o celibato não é um dogma, mas uma norma disciplinar.

Hoje, o papa voltou a fechar as portas ao fim da prática sacerdotal ao defender seu "valor sagrado" perante 500 padres e cerca de 50 bispos.

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