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12/03/2010 - 20h59

Prefeito de Mogadíscio ordena que população deixe zonas conflituosas

Mogadíscio, 12 mar (EFE).- O prefeito de Mogadíscio, Abdirisak Mohamed Nur, se dispôs a evacuar as áreas da capital somali controladas pela milícia radical islâmica Al Shabab onde estão ocorrendo os combates que já mataram ao menos 85 pessoas desde quarta-feira.

Além disso, Nur anunciou uma ofensiva governamental contra Al Shabab, milícia ligada à rede terrorista Al Qaeda que conta com o apoio de centenas de combatentes estrangeiros e que luta para derrubar o Governo de transição somali presidido por Sharif Sheikh Ahmed e apoiado pela comunidade internacional.

Organizações de defesa dos direitos humanos criticaram a atitude do prefeito, classificada como "desumana e cruel".

Designado pelo Governo de transição, Nur anunciou em comunicado que, "como prefeito de Mogadíscio, ordena à população que abandone os lugares controlados pela Al Shabab e que se desloque pelo menos a dois quilômetros dessas áreas".

O comunicado do prefeito veio depois de milhares de pessoas abandonarem Mogadíscio após três dias de combates que resultaram na morte de 63 pessoas e deixaram ao menos 175 feridos, a grande maioria civis.

Após a divulgação da posição do prefeito, muitas das pessoas que tiveram de sair do norte de Mogadíscio se dirigiram para os subúrbios de Galgalato, Kullan Wayne, Geed Timir e Eladde, também ao norte, onde há uma grave escassez de água e alimentos.

Ao menos oito pessoas morreram e outras ficaram feridas durante os disparos e lançamentos de mísseis registrados nesta sexta-feira em Mogadíscio, conforme relataram fontes de socorro à Agência Efe. Entre quarta e quinta-feira, ao menos 55 pessoas morreram e outras 155 ficaram feridas devido aos conflitos na cidade.

Hassan Moalim Yousef, ativista do Centro para a Paz e os Direitos Humanos (CPHR, na sigla em inglês), disse à Efe que "a decisão do prefeito vai contra os direitos humanos. Ele disse ao povo que deixe seu lar sem dizer para onde devem ir".

Segundo Yousef, o número de mortos em Mogadíscio devido à violência nos últimos três dias passa de 80, sendo que são quase todos civis. "As violações dos Direitos Humanos que acontecem na Somália devem acabar e a comunidade internacional deve pedir contas dos crimes de guerra no país", explicou.

"Convoco a ONU, os Estados Unidos e a União Europeia a estabelecer um plano para punir aqueles que vão contra os direitos humanos, pois, embora a Somália não tenha assinado o Tratado de Roma sobre a Corte Internacional de Justiça, não se pode permitir que os senhores da guerra continuem matando", acrescentou.

Hasna Jiney, de 80 anos, abandonou o distrito de Shibis com sua neta, e seguiu para Galgalato, 15 quilômetros ao norte de Mogadíscio. "Somos um velho e uma jovem, somos muito vulneráveis, temos fome e nos refugiamos sob algumas árvores. Necessitamos de ajuda" disse Jiney à Efe.

"Pedimos a ajuda de Deus, porque estamos cansados de pedir a ajuda da comunidade internacional", acrescentou.

Ele é uma das milhares de pessoas obrigadas a se deslocar, desesperadas e sem recursos, já que a Al Shabab proibiu que o Programa Mundial de Alimentos (PMA) ofereça ajuda aos deslocados.

A Somália não conta com um Governo efetivo desde 1991, quando o ditador Siad Barre foi derrubado. O país vive em uma guerra civil permanente desde então, enquanto o controle do território é dividido entre senhores da guerra de clãs tribais armados, milícias fundamentalistas islâmicas e alguns grupos de bandidos.

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