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17/03/2010 - 13h01

Manifestantes pintam com sangue muro de primeiro-ministro tailandês

Gaspar Ruiz-Canela Bangcoc, 17 março (EFE).- Os milhares de manifestantes "camisas vermelhas" que estão concentrados em Bangcoc para exigir eleições antecipadas continuaram hoje a fazer atos simbólicos em protesto contra o Governo, como o de pintar com sangue doado o muro da residência do primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva.

A Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, movimento que defende os interesses do primeiro-ministro deposto Thaksin Shinawatra, se dispôs neste quarto dia de protestos a manchar a residência do chefe do Governo, que se nega a renunciar a convocar eleições.

Várias centenas de policiais e soldados formavam três cordões de segurança ao redor da casa de Vejjajiva, localizada em um luxuoso bairro residencial de Bangcoc.

Com seus líderes discursando sobre caminhões equipados com grandes caixas de som e debaixo de forte chuva, os "camisas vermelhas" avançaram armados com bandeiras da Tailândia e fizeram as forças de segurança recuar.

Os manifestantes abriram um corredor por onde passaram quatro furgões até chegarem ao muro principal da residência. Eles pintaram o portão de entrada com sangue que haviam doado e arremessaram bolsas de sangue contra o local, conforme constatou a Agência Efe.

Meia hora depois, sem que a Polícia ou o Exército tivessem recorrido à força, os líderes do protesto recuaram e o cordão policial voltou a ser mobilizado. Assim que eles se retiraram, o portão e a área foram lavados com desinfetante.

Na véspera, os manifestantes haviam feito o mesmo tipo de protesto em frente à sede do Governo e do escritório do governista Partido Democrata.

Organizações humanitárias e até o próprio Shinawatra criticaram esse tipo de protesto.

As manifestações perderam fôlego desde domingo passado, quando 100 mil pessoas se reuniram em Bangcoc para protestar e deram um ultimato de 24 horas ao Executivo para solucionar a atual crise convocando novas eleições.

Segundo a Polícia tailandesa, restam ainda pouco mais de 10 mil manifestantes, mas fontes da Frente Unida triplicam esse número e estimam um número maior em breve.

O acampamento base dos "camisas vermelhas" é um cruzamento próximo ao antigo Palacio Real e do monumento à democracia, onde contam com um palco / cenário, tendas de campanha, alto-falantes e postos de comida e bebida.

Alguns comerciantes de Bangcoc começaram a demonstrar cansaço pelas manifestações nas ruas, que ocorrem de forma intermitente desde 2006.

"Agora, o importante é que trabalhemos todos juntos para melhorar a economia. As disputas políticas não beneficiam ninguém", opinou a dona de uma loja de roupa.

A Frente Unida, dirigida do exílio por Shinawatra, acusa o atual primeiro-ministro de não ter vencido o cargo nas urnas, mas mediante pactos parlamentares respaldados pelo Exército.

Shinawatra, um ex-coronel da Polícia transformado em magnata da comunicação, chegou ao cargo de primeiro-ministro em 2001 com o voto das classes mais pobres e dos trabalhadores rurais com suas promessas de serviços de saúde e empréstimos.

Contra ele, está a classe média urbana, as elites próximas à monarquia e uma boa parte do Exército.

Em setembro de 2006, a cúpula militar depôs Shinwatra em um golpe de Estado e, dois anos mais tarde, foi condenado a dois anos de prisão por corrupção.

No mês passado, a Corte Suprema considerou o ex-primeiro-ministro culpado de vários crimes, como o de evasão fiscal, e expropriou US$ 1,391 bilhão dos US$ 2,315 bilhões de Shinawatra e sua família congelados pelo Estado após o levante.

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